Em 2014, o imbatível guitarrista Slash lançou seu terceiro álbum solo, chamado "World on Fire". Após lançar dois álbuns de estúdio (a saber, "Slash", de 2010, e "Apocalyptic Love", de 2012) e um álbum ao vivo ("Made in Stoke", de 2011), ficou uma dúvida em relação a qualidade do novo disco.
Seus trabalhos anteriores ficaram excelentes, mas conseguiria Slash manter esse patamar? A resposta é... SIM!!
Novamente, Slash está com Myles Kennedy nos vocais, e The Conspirators (Todd Kerns no baixo e Brent Fitz na bateria). Digo com convicção que este é o trabalho mais pesado do guitarrista.
Ao longo de dezessete faixas, Slash mostra porque é um dos melhores guitarristas de todos os tempos: belas melodias e solos absurdos, mostrando que está em plena forma.
Myles trazendo o melhor que sua voz pode fazer, mostrando a química entre os dois, e não podemos ignorar o fato de Todd e Brent deixarem sua marca.
Faixas como "World on Fire (uma tijolada)", "Shadow Life", "30 Years to Life (pesadíssima)", "Stone Blind (grudenta)", "Withered Delilah (Hard Rock em sua forma pura)" e "The Unholy (épica!)", mostram toda a potência da banda como um todo.
Segue tracklist:
1. "World on Fire"
2. "Shadow Life"
3. "Automatic Overdrive"
4. "Wicked Stone"
5. "30 Years to Life"
6. "Bent to Fly"
7. "Stone Blind"
8. "Too Far Gone"
9. "Beneath the Savage Sun"
10. "Withered Delilah"
11. "Battleground"
12. "Dirty Girl"
13. "Iris of the Storm"
14. "Avalon"
15. "The Dissident"
16. "Safari Inn"
17. "The Unholy"
Ou seja, "World on Fire" é uma verdadeira aula de Hard Rock. Pesado, bem trabalhado e limpo. Slash já não pode ser mais conhecido como o "ex-guitarrista do Guns n' Roses". Ele já tem sua identidade, e mostra que sua criatividade está a mil por hora.
Não desmerecendo Axl Rose (sou fã dele)... mas acho que ele vai suar muito pra lançar algum trabalho desse nível...
Faz um tempinho que não falo de música, e esses dias eu estava escutando muito essa banda. Então lá vai um post de uma superbanda, o Velvet Revolver!!
Formada por Slash (guitarra solo), Duff McKagan (baixo, backing vocals), Matt Sorum (bateria, backing vocals), Dave Kushner (guitarra rítmica) e Scott Weiland (vocais, teclados).
Depois da debandada dos integrantes do Guns n' Roses, o futuro de Slash, Duff McKagan e Matt Sorum parecia nebuloso. Eles tinham em mente formar uma banda séria, um projeto que durasse. Fazendo apenas apresentações especiais, parecia que era o fim mesmo.
Mas essa galera tinha outros planos: cotar vários vocalistas de peso, já que não era qualquer um que aguentava o tranco de tocar com eles, e começaram a contata-los.
A banda parecia muito bem entrosada... mas por pouco tempo.
Dentre os escolhidos, o título de frontman da nova banda estava entre Sebastian Bach (ex-Skid Row), Ian Astbury (do The Cult) e Scott Weiland (ex-atual-ex Stone Temple Pilots).
Equanto Sebastian Bach agradeceu, mas não podia se juntar aos caras, Ian Astbury estava em estúdio com o The Cult, Scott Weiland aceitou de bom grado a oportunidade.
Slash mandou uma fita demo com instrumentais gravados para Weiland, que alguns dias mais tarde já devolveu com os vocais gravados. Aí fudeu!
Mas quem é Scott Weiland?
Ele foi um dos fundadores da banda de rock alternativo Stone Temple Pilots. A banda tem uma sonoridade excelente, porém seus membros (mais notoriamente Weiland) sempre entravam e saiam de clínicas de reabilitação de drogas e álcool. Depois de 5 álbuns, a desgastada relação entre eles levou ao fim (aparente) da banda.
Weiland é sem dúvida, um rockstar dos anos 70 na atualidade.
O jeito de cantar, a maneira como se porta no palco, e os abusos de drogas e álcool. Já chegou até entrar num bolão com os amigos para ver de que jeito iria morrer!
Voltando à música, Weiland escreveu as letras das faixas que se tornariam "Big Machine" e "Dirty Little Thing". Após o acerto entre as partes e gravado outras canções, Weiland foi preso por posse de drogas e poderia ficar apenas 3 horas no estúdio para gravação, e o restante numa clínica de recuperação.
Capa de Contraband.
O álbum "Contraband", lançado em 2004, foi muito bem recebido pelo público. Com faixas pesadas que remetem ao Hard Rock (nada a ver com o Guns n' Roses) e até mesmo Punk. Destaque para as faixas "Sucker Train Blues", "Headspace", a balada bem trampada "You Got No Right" e a sombria e pesada "Slither" (clipe abaixo).
Depois de três anos, o VR lançou seu segundo (e último disco até o momento) álbum: Libertad.
Novamente, um ótimo disco, balanceando muito bem o peso e a técnica de seus músicos. Destaque para as faixas "She Mine", The Last Fight" (clipe abaixo), "She Builds Quick Machines", e "Pills, Demons & Etc.".
Capa de Libertad.
Ocorreram problemas no relacionamento entre Weiland e o restante da banda, e em um show em Glasglow (2008), Weiland declara que aquele era seu último show com o VR, e voltou para sua antiga banda, o Stone Temple Pilots.
Uma reunião entre eles está fora de cogitação.
Mas estão rolando alguns boatos que Corey Taylor (Slipknot, Stone Sour) assumirá os vocais da problemática banda.
Era uma banda pra marcar história, mas pelo comportamento dos membros, chegou ao fim, pelo menos por enquanto...
O Slash é um caso raro no meio do Rock: é extremamente complicado uma banda poderosa como o Guns n' Roses se desfazer, apenas o Axl Rose ficou, e geralmente, o vocalista é o centro da atenção.
Mas o guitarrista responsável pelas mais belas melodias distorcidas do Guns n' Roses, sempre com a característica cartola, aquela cabeleira gigante, um cigarro no canto da boca e inspiração pra dar e vender não parou no tempo, ou ficou aguardando o espólio que a era passada de sua antiga banda lhe renderia: estava no auge da forma, longe da megalomania de Axl e livre pra criar o que queria.
Saul Hudson (esse é o nome do Slash) já se aventurou com uma nova superbanda, o Velvet Revolver, com ex-integrantes do Guns, e o vocalista do Stone Temple Pilots.
Lançou seu primeiro disco solo, a lá Carlos Santana: compôs as músicas e letras, e reuniu um elenco de músicos e vocalistas grandioso.
Mas em maio de 2012, Slash atingiu um patamar que poucos conseguiram: em seu 2º disco solo, alcançou uma obra-prima digna de nota!
"Apocalyptic Love" traz um Slash altamente inspirado: com riffs muito bem colocados, inspiração animal e com uma banda ótima, nos mostra que o Rock n' Roll está bem vivo. O vocalista Myles Kennedy (postei sobre ele AQUI) com uma voz muito afinada e combinou muito bem com o estilo de Slash; o baixista Todd Kerns e o baterista Brent Fitz também acompanham de maneira primorosa.
As faixas são:
"Apocalyptic Love"
"One Last Thrill"
"Standing in the Sun"
"You're a Lie"
"No More Heroes"
"Halo"
"We Will Roam"
"Anastasia"
"Not for Me"
"Bad Rain"
"Hard & Fast"
"Far and Away"
"Shots Fired"
E na edição dupla, são duas faixas extras, mais o DVD da gravação do disco:
"Carolina"
"Crazy Life"
Destaque para as faixas "Standing in the Sun", a poderosa "No More Heroes", a sinistra "Bad Rain", a balada "Far and Away" e a mais bela canção do disco, "Anastasia", que tem solos de guitarra iguais ou superiores a era do Guns n' Roses.
Da esquerda para a direita: Todd Kerns, Brent Fitz, Myles Kennedy e Slash.
Depois de ouvir "Apocalyptic Love", chegamos à conclusão que a melhor coisa que aconteceu com Slash foi o fim do Guns n' Roses. Seu talento é nato, talvez seja o sucessor direto do gênio Jimmy Page, e acompanhado de uma ótima banda, junto com o vocalista Myles Kennedy, que alcança as notas sem grandes dificuldades, acredito que seja claro: é hora de esquecer Axl Rose (estou falando isso sendo fã do cara, e ter achado o disco "Chinese Democracy" um bom álbum).
O vocalista Myles Kennedy talvez seja bem conhecido hoje, por gravar um álbum com o ícone da guitarra Slash, porém ele não foi escolhido a esmo.
Myles Kennedy
Kennedy já tem um bom tempo na música (mais de 20 anos), e passou por bandas significativas no Rock n' Roll, sejam elas underground ou mais conhecidas.
Além de ser um exímio guitarrista (era instrutor de guitarra em Washington), tem um alcance vocal extremamente peculiar, ponderando entre o suave e o "berrado" com uma facilidade absurda.
No início de sua carreira, em 1990, tocou guitarra em uma banda de Jazz, chamada Cosmic Dust, mas não teve grande reconhecimento na mídia. Permaneceu nessa banda até 1993.
Kennedy destrinchando a guitarra em um show .
Entre 93-95, tocou em projetos menores, mas já como vocalista/ guitarrista.
E foi em 1996 que ajudou a fundar uma banda bastante popular no underground americano, saindo da cidade de Spokane: a banda The Mayfield Four, com claras influências de Led Zeppelin, Rolling Stones e The Police.
A amizade entre os integrantes foi essencial, pois se conheciam desde a infância.
A partir deste ponto, a voz e as técnicas de guitarra de Kennedy passaram a ser conhecidas. Lançaram dois álbuns: "Fallout", de 1998, com destaque para as faixas "Shuddershell", "Always" e "Realign"; e o álbum de 2001, "Second Skin", com as ótimas músicas "Lyla" e "Backslide".
Por motivos não divulgados, em 2002 a banda se separou.
The Mayfiled Four: uma das primeiras fotos.
Por volta de 2004, Kennedy recebeu um convite do guitarrista da banda Creed, Mark Tremonti, para se juntar aos membros remanescentes da banda para um novo projeto.
Myles aceitou o convite, e formou-se o Alter Bridge, com a formação: Mark Tremonti (guitarrista), Scott Phillips (baterista) Brian Marshall (baixista), e Myles Kennedy (vocalista/guitarrista).
Claro que os fãs de Creed não curtiram muito, mas a banda é extremamente superior ao Creed, pois o som pende entre Hard Rock, Metal Alternativo, e uma pegada setentista (não criticando o Creed, nem o vocalista Scott Stapp, mas sinceramente, a voz de Stapp é muito, muito parecida com o vocalista do Pearl Jam, o querido Eddie Vedder, tanto que o Creed é tachado como uma "cópia descarada" do Pearl Jam aqui no Brasil).
Kennedy e o Alter Bridge.
Já lançaram três álbuns, sendo eles: "One Day Remains", de 2004 (um excelente disco de estréia, por sinal), "Blackbird", de 2007 (neste álbum é onde deixaram aflorar as influências setentistas), e o "AB III", de 2010.
Entre o disco "Blackbird", de 2007, e o disco de 2010, "AB III", Kennedy recebeu um convite para o projeto solo do virtuose da guitarra Slash, para cantar em duas faixas.
O 1º disco solo de Slash, sob o mesmo nome do guitarrista (lançado em 31/03/10), conta com uma gama enorme de músicos conceituados, entre eles Ozzy, Lemmy do Motorhead, Chris Cornell, Iggy Pop, Rocco Deluca, M. Shadows do Avenged Sevenfold e muitos mais (uma observação: a edição brasileira do disco foi agraciada com músicas bônus).
Capa do 1º disco solo de Slash.
Kennedy cantou em duas músicas: "Back from Cali" e "Starlight".
A química entre Slash e Kennedy foi imediata, tanto que o vocalista recebeu um novo convite (esse gosta de ser convidado!) para ser o vocalista da turnê do disco solo de Slash. E claro, Kennedy não recusou.
Slash e Kennedy: química no estúdio e fora dele.
Em 2011, foi feito o registro de um desses shows, no disco ao vivo "Slash feat. Myles Kennedy: Made in Stoke", onde foi revisitado todo o catálogo musical de Slash, desde o Guns n' Roses ("Paradise City", "Civil War" e "Sweet Child O' Mine), o Slash's Snakepit ("Been There Lately" e "Beggars & Hangers On"), o Velvet Revolver ("Slither") e músicas do disco solo, com o vocal de Kennedy (este disco conta com uma versão simples e uma versão dupla. O disco duplo conta com o show na íntegra.).
Capa do disco ao vivo: a edição dupla contém o show todo.
Neste ano, Slash já incorporou Myles Kennedy ao seu 2º disco solo, o poderoso "Slash feat. Myles Kennedy and the Conspirators - Apocalyptic Love".
O álbum é paulada do começo ao fim, explorando ao máximo o talento vocal de Kennedy com a técnica incomparável do Slash, destaco as faixas "You're a Lie", "No More Heroes", "Anastasia" e "Bad Rain" (este álbum também conta com uma versão simples e uma versão de luxo: a versão de luxo vem com duas faixas a mais, e um DVD que mostra o making of do disco. Pelo valor, compensa adquirir a versão de luxo, em algumas lojas, a diferença é de R$ 4,00!!)
2º disco solo do Slash: paulada na cabeça!
Agora Kennedy está em turnê com Slash, e mantém o Alter Bridge unido.
Se tiverem oportunidade, confiram um pouco mais o trabalho do Myles Kennedy, porque acho que agora ele vai ter o reconhecimento que merece.
Confira o clipe de "Bad Rain", do 2º disco do Slash!