domingo, 29 de junho de 2014

Especial Tupac Shakur pt. 1 - Entrevista Para a Revista "VIBE"

Fala galera!
Aqui começa a primeira das três partes desse especial do músico Tupac Shakur.
Sem dúvida, Tupac mudou o rumo do Hip Hop mundial na década de 90. Existem vários motivos para afirmar isso, mas apenas para citar um exemplo: geralmente, os músicos começam a gravar uma canção, e demoram em média 10 dias para concluí-la.
Tupac se sentava no estúdio, começava a escrever, e gravava entre 3 e 5 músicas... por dia. O rapper Snoop Dogg afirma que suas letras não continham nem erros de concordância, ou escritas erradas.


Mas no final de 1994 e final de 1995, a vida de Tupac deu uma reviravolta absurda.
Sofreu um atentado em Nova Iorque, onde foi baleado 5 vezes, gravou seu melhor álbum, o "Me Against the World", foi preso por uma acusação de estupro armada pelo governo, e declarou suas desavenças contra os rappers nova-iorquinos Notorious BIG e Sean "Puffy" Combs.

O que segue nesse post é sua entrevista para a revista VIBE, que Tupac concedeu enquanto estava preso, na data de abril de 1995. E nada melhor que o próprio homem falar sobre o que realmente aconteceu naquela noite de 30 de novembro de 1994. Tupac dá a sua opinião sobre quem estava por trás do tiroteio e nos diz exatamente o que aconteceu naquela noite, quando e porquê.
Nunca antes traduzida para o português, é uma novidade que eu consegui trazer para o blog.
Espero que gostem!



Na capa, Tupac diz: "Essa é minha última entrevista. Se eu for morto, quero que as pessoas saibam a verdadeira história.".
A entrevista foi conduzida pela Vibe Magazine, e pelo repórter Kevin Powell, e é, portanto, propriedade da Vibe Magazine. © Kevin Powell/1995 Tempo Publishing Ventures Inc.

Vibe: Você pode nos levar de volta para aquela noite no Quad Recording Studios em Times Square?
Tupac: A noite do tiroteio? Claro. Ron G. é um DJ aqui em Nova York. Ele me pediu, tipo, "Pac, eu quero que você venha à minha casa e grave esse rap em minhas fitas." Eu respondi: "Tudo bem, eu vou de graça.".
Então eu fui à sua casa - eu, Stretch (nota: um rapper que dizia ser amigo de Tupac, porém Tupac afirmou mais tarde que ele estaria envolvido no atentado), e mais dois manos. Depois que eu gravei a música, eu fui bipado por um cara, o Booker, me dizendo que ele queria que eu gravasse no disco de Little Shawn. Agora, esse cara eu ia cobrar, porque eu podia ver que estavam apenas me usando, então eu disse: "Tudo bem, você me dá sete mil e eu vou fazer a música.". Ele disse: "Eu tenho o dinheiro. Venha.".
Eu parei para conseguir um pouco de erva, e ele me chamou de novo. "Onde você está? Por que você não vem?". E eu, tipo, "Eu estou indo cara, espera.".

Vibe: Você conhece esse cara?
Tupac: Eu o conheci através de alguns caras rudes que eu conheci antes. Ele estava tentando ser legítimo e tudo mais, então eu pensei que estava fazendo um favor a ele. Mas quando eu o chamava de volta para as gravações, ele estava, tipo, "Eu não tenho o dinheiro.". Eu disse: "Se você não tiver o dinheiro, eu não vou.".
Ele desligou o telefone, então me chamou de volta: "Eu vou chamar Andre Harrell (CEO da Uptown Entertainment) e ter certeza de que você consiga o dinheiro, mas eu vou dar-lhe o dinheiro do meu bolso.".
Então eu disse: "Tudo bem, eu estou a caminho.". Como nós estávamos andando até o prédio, alguém gritou do topo do estúdio. Foi Little Caesar, o parceiro de Biggie (o Notorious BIG). Esse é o meu mano. Assim que o vi, todas as minhas preocupações sobre a situação estavam tranquilas.

Vibe: Então você está dizendo que foi até ele...
Tupac: Eu me senti nervoso, porque esse cara sabia eu eu tinha arrumado uma briga grande. Eu não queria dizer à polícia, mas posso dizer ao mundo. Nigel tinha me apresentado a Booker.
Todo mundo sabia que eu estava com pouco dinheiro. Todos os meus shows estavam sendo cancelados. Todo o meu dinheiro dos meus discos ia para os advogados; todo o dinheiro dos filmes estava indo para a minha família. Então eu estava fazendo esse tipo de coisa, gravando com os rapazes e sendo pago.

Vibe: Quem é esse cara Nigel?
Tupac: Eu estava andando com ele o tempo todo que estive em Nova York gravando o filme "Above the Rim". Ele veio até mim e disse: "Eu vou cuidar de você. Você não precisa entrar em mais problemas.".

Vibe: Esse Nigel também não é conhecido pelo nome de Trevor? 
Tupac: Certo. Há um verdadeiro Trevor, mas Nigel levou ambos os apelidos, você entende? Então é isso que eu estava fazendo - cheguei perto deles. 
Eu costumava vestir calças e tênis. Eles me levaram às compras; foi quando eu comprei o meu Rolex e todas as minhas jóias. Eles me fizeram amadurecer. Eles me apresentaram a todos esses gangsters no Brooklyn. Eu conheci a família de Nigel, fui para a festa de aniversário de seu filho - eu confiava nele, você entende? Eu até tentei colocar Nigel no filme, mas ele não queria estar no filme. Isso me incomodou. Eu não conheço nenhum negro que não queria estar no cinema.

Vibe: Podemos voltar para o tiroteio? Quem estava com você naquela noite?
Tupac: Eu estava com Stretch em casa, seu camarada Fred, e o namorado da minha irmã, Zayd. Não estava com guarda-costas; eu não tenho um guarda-costas. Nós chegamos ao estúdio, e havia um cara lá fora em uniforme militar com o chapéu baixo no rosto. 
Quando nós caminhamos para a porta, ele não olhou para cima. Eu nunca vi um homem negro não me reconhecer de uma forma ou de outra, seja com inveja ou respeito. Mas esse cara só olhou para ver quem eu era e virou o rosto para baixo. Não me toquei, porque eu tinha acabado de fumar um baseado. Eu não esperava que algo ia acontecer comigo no lobby do prédio. Enquanto esperamos para beber, eu vi um cara sentado em uma mesa de leitura com um jornal. Ele não olhou para cima também.

Vibe: Estes são os dois homens negros?
Tupac: Homens negros na casa dos trinta. Então primeiramente pensei "estes caras devem ser os segurança do Biggie, porque eu sabia que eles eram de Brooklyn, devido seus uniformes militares. (nota: os rappers ou membros de gangue, naquela época, usavam roupas camufladas)"
Mas então eu pensei: espere um minuto. Até manos Biggie me curtem, por que não olham para cima? Apertei o botão do elevador, me virei, e é aí que os caras saíram com as armas, duas 9 mms idênticas. "Ninguém se mexe. Todo mundo no chão. Você sabe que hora é. Corre, seu merda.".
E eu pensei: O que devo fazer? Pensei que Stretch ia brigar; ele estava indo pra cima dos caras. Pelo que eu sei sobre crime, se os caras vêm para roubá-lo, eles sempre vão acertar o cara maior primeiro. Mas eles não tocaram em Stretch; eles  vieram direto para mim. Todo mundo caiu no chão como batatas, mas eu gelei. Não era como se eu estivesse sendo corajoso nem nada; Eu simplesmente não podia ficar no chão. Eles começaram a me agarrar para ver se eu estava armado. Eles disseram: "Tire suas jóias", e eu não queria tirá-las.
O cara de pele clara, o que estava em pé do lado de fora, chegou em mim. Stretch estava no chão, e o cara com o jornal estava apontando a arma para ele. Ele estava dizendo ao cara de pele mais clara, "Atira, filho da puta! Foda-se!".
Então eu fiquei com medo, porque o cara estava com a arma para o meu estômago. Eu passei meu braço em torno dele para mover a arma para o meu lado. Ele disparou e a arma torceu, e foi quando eu fui atingido pela primeira vez. Eu senti isso na minha perna; Eu não sabia que levei um tiro no saco. Eu cai no chão. Tudo na minha mente dizia, Pac, finja estar morto. 
Não importava. Eles começaram a me chutar, me bater. Eu nunca disse: "Não atire!". Eu estava tranquilo como o inferno. Eles estavam roubando as minhas coisas enquanto eu estava deitado no chão. Eu mantive os olhos fechados, mas eu estava tremendo, porque a situação me mantinha tremendo. E então eu senti algo na parte de trás da minha cabeça, algo muito forte.
Eu pensei que eles pisaram em mim ou me deram coronhadas, e eles estavam batendo a minha cabeça contra o concreto. Eu só vi branco, apenas branco. Eu não ouvi nada, eu não senti nada, e eu disse, estou inconsciente. Mas eu estava consciente. E então senti isso de novo, e eu podia ouvir as coisas agora, e eu podia ver as coisas e eles estavam trazendo-me de volta à consciência. Em seguida, eles fizeram isso de novo, e eu não conseguia ouvir nada. E eu não podia ver nada; que era apenas tudo branco. E então eles me bateram de novo, e eu podia ouvir as coisas e eu podia ver as coisas e eu sabia que estava consciente novamente.

Vibe: Alguma vez você ouvi-los dizer o nome deles? 
Tupac: Não. Não. Mas eles me conheciam, ou então eles nunca iriam verificar se eu estava armado. Era como se estivessem com raiva de mim.  Eu senti eles me chutando e me batendo; eles não bateram em mais ninguém. 
Era, tipo, "Ooh, filhos da puta, ooh, aah" - eles estavam chutando forte. Eu estava ficando inconsciente, e eu não estava sentindo nenhum sangue na minha cabeça ou nada. A única coisa que eu senti foi meu estômago doendo muito. O namorado da minha irmã se virou e me disse: "Ei, você está bem?".
Eu respondi, "Fui baleado, fui baleado.". E Fred disse que fui atingido, mas isso era a bala que passou pela minha perna. Então eu me levantei e fui até a porta - todo fodido - e assim que cheguei à porta, vi um carro da polícia parado lá.
Eu pensei: "Oh-oh, a polícia está chegando, e eu nem sequer subi as escadas.". Então nós saltamos no elevador e subimos. Eu estava mancando e tudo, mas não sentia nada. Estava entorpecido. Quando chegamos lá em cima, eu olhei ao redor, e isso assustou pra caralho.

Vibe: Por que?
Tupac: Porque Andre Harrell estava lá, Puffy (CEO da Bad Boy Entertainment, Sean "Puffy" Combs) estava lá, Biggie ... havia cerca de 40 manos lá. Todos eles tinham jóias. Mais jóias do que eu. Vi Booker, e ele tinha um olhar em seu rosto como ele ficou surpreso ao me ver.
Por quê? Eu tinha acabado de apertar a campainha e disse que estava subindo. Little Shawn estava chorando. Por que Little Shawn estava chorando, se eu levei um tiro? Ele estava chorando incontrolavelmente e dizendo, "Oh meu Deus, Pac, você tem que se sentar!". Eu estava me sentindo estranho, como: Por que eles querem me fazer sentar?

Vibe: Porque cinco balas tinham passado por seu corpo.
Tupac: Eu não sabia que tinha sido baleado na cabeça ainda. Eu não senti nada. Eu abri minha calça, e eu podia ver a pólvora e o buraco.
Eu não queria mostrar pra eles se meu pau ainda estava lá. Eu só vi um buraco e disse, "Oh merda. Me arrume um pouco de erva.".
Eu liguei para a minha namorada: "Ei, eu só levei um tiro. Ligue para a minha mãe e diga a ela.". Ninguém se aproximou de mim. Notei que ninguém queria olhar para mim. Andre Harrell não olhava para mim. Eu estava saindo para jantar com ele nos últimos dias. Ele havia me convidado para o "New York Undercover (nota: extinto grupo de rap)", dizendo-me que ele ia me arrumar um emprego. Puffy estava afastado também. Eu conhecia Puffy. Ele sabia quantas coisas eu tinha feito por Biggie antes que ele ficasse famoso.

Vibe: As pessoas viram sangue em você?
Tupac: Eles começaram a me falar: "Sua cabeça! Sua cabeça está sangrando!". Mas eu pensei que era apenas uma coronhada. Em seguida, a ambulância chegou, e a polícia. Primeiro eu percebi que o policial que chegou era o policial que prestou depoimento contra mim na acusação de estupro. Ele tinha um meio sorriso no rosto, e ele viu os caras olhando para as minhas bolas. Ele disse: "O que há, Tupac? Como vai isso?".

Tupac na saída do estúdio. Ele nem imaginava a quantidade de tiros que levou.

Quando cheguei ao Bellevue Hospital, o médico disse, "Oh meu Deus!".
E eu "O que? O que foi?". E eu ouvi ele dizendo a outros médicos,"Olhe para isso. É pólvora aqui.". Ele estava falando sobre a minha cabeça.
"Esta é a ferida de entrada. Este é o ferimento de saída.". E quando ele fez isso, eu podia sentir os buracos. Eu disse: "Oh meu Deus. Eu podia sentir isso.". Era por isso que eu estava desmaiando no saguão do prédio. E foi aí que eu disse: "Oh merda. Eles me deram um tiro na minha cabeça.". Eles disseram: "Você não sabe a sorte que tem. Você foi baleado cinco vezes.".
Foi estranho. Eu não queria acreditar. Eu só conseguia me lembrar do primeiro tiro, então tudo ficou branco.

Vibe: Em algum momento você achou que ia morrer? 
Tupac: Não. Juro por Deus. Para não soar assustador ou nada, eu senti Deus cuidando de mim desde o primeiro momento em que os manos puxaram as armas. A única coisa que me magoou foi que Stretch e todos os outros deitaram no chão. As balas não doeram. Nada doeu até que eu estava em recuperação. Eu não podia andar, não podia levantar, e minha mão ficou fodida.
Eu estava olhando as notícias e estavam mentindo sobre mim.

Vibe: Conte-me sobre alguma cobertura que aborreceu você.
Tupac: A primeira coisa que me incomodou foi aquele cara que escreveu essa merda dizendo que eu pretendia fazer isso. Que eu tinha encenado, que foi um ato.
Quando li isso, eu comecei a chorar como um bebê, como uma bicha. 
Eu não podia acreditar. Isso me deixou em pedaços.
E, em seguida, os noticiários estavam dizendo que eu tinha uma arma e erva comigo. Em vez de dizer que eu era uma vítima, eles estavam fazendo como se eu tivesse feito isso.

Vibe: E sobre todas as piadas, dizendo que tinha perdido um de seus testículos?
Tupac: Isso não me incomoda, porque eu penso, merda, eu vou ser o último a rir. Porque eu tenho mais coragem que todos esses manos.
"Você pode ter bebês", meus médicos disseram.
Me disseram isso na primeira noite, depois que começaram a cirurgia exploratória: "Nada há de errado. A bala entrou e saiu.". É a mesma coisa com a minha cabeça. A bala entrou e saiu.

Vibe: Você já teve muita dor desde então?
Tupac: Sim, eu tenho dores de cabeça. Eu acordo gritando. Tenho tido pesadelos, pensando que ainda estão atirando em mim. Tudo o que vejo é manos puxando armas, e eu ouço o cara dizendo: "Atire filho da puta!".
Então eu acordo suado como o inferno. Droga, eu tenho muita dor de cabeça. O psiquiatra em Bellevue disse que é o estresse pós-traumático.

Vibe: Por que você deixou Bellevue Hospital?
Tupac: Deixei Bellevue na noite seguinte. Eles estavam me ajudando, mas eu me senti como um projeto de ciências. Eles continuaram chegando, olhando para o meu pau e, merda, e isso não era uma posição legal para ficar. E eu sabia que minha vida estava em perigo. O Fruto do Islã estava lá, mas eles não têm armas. Eu sabia que tipo de manos que eu estava lidando.

Tupac na saída do hospital.

Então eu deixei Bellevue e fui para o Metropolitan.
Eles me deram um telefone e disseram: "Você está seguro aqui. Ninguém sabe que você está aqui.". Mas o telefone tocava e alguém dizia: "Você ainda não está morto?". Eu sempre pensava: "Merda! Esses filhos da puta não tem nenhuma piedade.". Então eu saí do hospital, e minha família me levou para um local seguro, alguém que realmente se importava comigo em Nova York.

Parecia ou não que o músico estava com medo?
****

Tupac saiu dois dias depois do hospital, mesmo sem autorização dos médicos, pois ele temia por sua vida.
Em menos de 5 meses depois, já foi condenado à prisão. Mas ele já havia terminado de gravar as canções para seu novo disco, que é a próxima parte desse especial.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Soundgarden - 20 Anos de "Superunknown"

Fala galera!

Gosto muito de falar de Rock por aqui, inclusive os vários álbuns que escuto ou escutei, mas alguns realmente me marcaram muito.
Sempre alguns discos (ou disco) fazem parte da trilha sonora da nossa vida.

E é com grande prazer que venho postar sobre uma banda que sempre me marcou muito, o Soundgarden, e sobre o álbum "Superunknown", que escutei demais na minha adolescência, e esse sim, faz parte da trilha sonora da minha vida.

Da esquerda pra direita: Matt Cameron, Kym Thayil, Chris Cornell e Ben Shepherd.

A banda formada por Chris Cornell (vocal, guitarra), Kim Thayil (guitarra), Matt Cameron (baterista) e Ben Shepherd (baixo) lançaram este álbum em 1994, e trouxeram até então a inspiração de seus três discos anteriores, e criaram o que é considerado sua obra-prima.

No meio do turbilhão do Grunge, o disco é considerado um dos melhores da época, pra não falar de todos os tempos. É nesse disco que a voz de Chris Cornell se tornou a potência conhecida de hoje. E pra quem não sabe, não foi o Nirvana que "inventou" o Grunge. O Soundgarden foi a banda pioneira.

A voz de Chris Cornell se tornou mais conhecida em 1994.

Sucesso comercial e de crítica, foi o álbum que os levou ao sucesso. Com as canções "Black Hole Sun", "The Day I Tried to Live", "Fell on Black Days", "Spoonman" e a faixa-título "Superunknown", que trazem letras obscuras, misteriosas, sendo que muitas músicas estão relacionados com abusos, suicídios e depressão.

Capa original de "Superunknown".

A arte de capa do álbum (conhecida como "Screaming Elf") é uma fotografia distorcida dos membros da banda, tirada por Kevin Westenberg, sobre uma imagem de uma floresta queimando de cabeça para baixo em preto-e-branco. Quanto ao trabalho de arte, Cornell disse:
"Superunknown se relaciona com nascimento de certa forma...Nascendo ou até mesmo morrendo. A coisa mais difícil era encontrar a imagem visual certa para pôr em um título como esse. A primeira coisa que pensamos foi em uma floresta em cinza ou preto. 
Eu gostava daquelas histórias quando criança, onde florestas eram cheias de coisas malignas e assustadoras, ao invés de serem jardins felizes que você podia acampar".

E depois de 20 anos, a banda relançou esse álbum!
"Superunknown" - Deluxe Edition é um disco duplo, com capa especial e encarte com 28 páginas, toda a arte retrabalhada e com fotos inéditas.
As músicas do disco 1 foram remasterizadas, e o disco 2 traz demos, ensaios, versões acústicas, remixes e faixas inéditas da época em que o disco foi gravado.

Capa retrabalhada de "Superunknown" Deluxe Edition.

E uma curiosidade: Um palhaço de um programa de televisão, que era chamado "Superklown", inspirou o nome do álbum. Além de ser um ítem de colecionador, é sem sombra de dúvida um pedaço importante da história do Rock, e é a oportunidade de ouvir o Soundgarden no auge de sua forma.

Segue traklist dos discos:


Disco 1 - Remastered Album

01. Let Me Drown
02. My Wave
03. Fell on Black Days
04. Mailman
05. Superunknown
06. Head Down
07. Black Hole Sun
08. Spoonman
09. Limo Wreck
10. The Day I Tried to Live
11. Kickstand
12. Fresh Tendrils
13. 4th of July
14. Half
15. Like Suicide
16. She Likes Surprises

Disco 2 - Demos, Rehearsals, B-Sides, Remixes

01. Let Me Drown (Demo)
02. Black Hole Sun (Demo)
03. Half (Demo)
04. Head Down (Rehearsal)
05. Limo Wreck (Rehearsal)
06. The Day I Tried to Live (Rehearsal)
07. Like Suicide (Acoustic)
08. Black Days III (Fell on Black Days Demo - Early Version)
09. Birth Ritual (Original Demo Version)
10. Exit Stonehenge
11. Kyle Petty, Son of Richard
12. Jerry Garcia’s Finger
13. Spoonman (Alternate Steve Fisk Remix)
14. The Day I Tried To Live (Scott Litt Mix)
15. 4th of July (Instrumental)
16. Superunknown (Instrumental)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Casos Sinistros da Música - Tupac Shakur

Fala galera!

Voltei com mais um dos "Casos Sinistros da Música".
Quando comecei a postar esses casos, não achei que os visitantes iriam gostar tanto. E isso me incentivou a pesquisar mais sobre algumas histórias sinistras que eu já conhecia, colher a maior quantidade de detalhes e mostrar pra vocês.
E dentre esses casos, o que intriga muito as pessoas, é o do rapper Tupac Shakur.



Claro que outros músicos possuem casos estranhos, como Elvis Presley que não morreu, assim como Michael Jackson, e assim como Tupac também.
Tupac viveu não como um rapper, mas sim como um Rockstar.
Mas o grande diferencial é que mesmo após os quase 18 anos de sua morte, Tupac é responsável por uma quantidade sem número de teorias sobre sua possível "morte (ou como forjou sua morte)".

Apenas para lembrar: Tupac foi atingido por 5 tiros no dia 7 de setembro de 1996, mas morreu no hospital em 13 de setembro do mesmo ano.
Então surgiram várias teorias de conspiração, que vão desde o dono de sua gravadora ter envolvimento no assassinato, os Illuminatis encomendarem a morte do músico e uma teoria envolvendo o número "7", que por sinal é a mais utilizada, que nos mostra uma grande quantidade de coincidências do uso ou aparecimento desse número nas músicas, frases e vídeos de Tupac.

Dentre tantas teorias, parece que ninguém ouviu o que o rapper dizia.

Mas deixando essas teorias de lado, existe um fato obscuro, por detrás de tudo o que foi apresentado, e que nunca vem à tona: seria possível uma pessoa prever eventos futuros em sua vida?

E Tupac realmente previu vários fatos ocorridos em sua vida, em sua músicas. Algumas dessas previsões, ocorreram algum tempo antes. Outras, mais próximas.Vamos aos exemplos.

Em 1991, Tupac lançou seu primeiro álbum, "2Pacalypse Now".
Nesse álbum, que iniciou sua carreira, a música chamada "Trapped", fala sobre a armação dos policiais faziam para prender qualquer pessoa.

Capa do disco de 1991.

Em 1992, Tupac foi preso em Oakland. Os policiais disseram que ele ofendeu os policiais, mas as testemunhas disseram que ele apenas atravessou a rua e os policiais chegaram batendo, e armaram uma grande farsa para tentar prender o músico.
"Escrevi uma música no meu disco sobre o que meus amigos me contavam sobre a polícia. Nunca havia sido preso. Escrevi a música, fui espancado pela polícia."

Em 1993, Tupac lançou seu segundo disco, "Strictly 4 My N.I.G.G.A.Z.", cantou em várias músicas sobre a liberdade de expressão e como o governo tentava calar quem dizia a verdade.
Entre 1993 e 1994, seus discos passaram por uma severa condenação de apologia à violência e quase foram proibidos.

Capa do disco de 1993.

Até aqui, não parece muito grave, certo?
Agora vem as partes mais chocantes.

O seu quarto disco lançado em 1995, "Me Against the World", foi lançado pouco antes de uma fase turbulenta em sua vida. 
A música "If I Die 2Nite (Se Eu Morrer Essa Noite)" fala do perigo de vida que ele corre. Na música "Outlaw (Fora da Lei)" ele diz que uns caras mascarados vieram atirar nele.

Capa do disco de 1995.

Poucos dias antes da mixagem do disco, Tupac foi baleado 5 vezes em Nova Iorque, por homens mascarados no saguão de um prédio.
Na canção "It Ain't Easy (Não é Fácil)" ele canta sobre estar na cadeia. No início de 1995, uma semana antes do lançamento do disco, foi preso por uma acusação armada pela polícia.

Então, à partir desse ponto, ele mesmo começou a ficar paranóico.
Assim que saiu da cadeia (onde ficou cerca de 10 meses), ele entrou em um estúdio e gravava três músicas por dia. Completou um disco duplo em cerca de 15 dias. Ele mesmo dizia: "Não tenho muito tempo. Então preciso deixar as coisas arrumadas.".

Então, poucos dias antes de sua morte, em 1996, é lançado o disco "All Eyez on Me", com a música "I Ain't Mad At Cha (Não Estou Bravo com Você)". E para surpresa de todos, o vídeo mostra Tupac saindo de um local público com um amigo, e sendo alvejado algumas vezes, e acaba morrendo. E isso foi algo extremamente similar ao que ocorreu em sua vida real, poucos meses depois, onde ele foi baleado na saída da luta de Mike Tyson, onde estava com um amigo.

O homem mascarado se aproximando;
Tupac e um amigo saindo do local;
Tupac sendo baleado. Tudo muito parecido com a realidade.

Apenas uma reportagem falou sobre isso, mas a revista em questão foi retirada das bancas em menos de dois dias após ser lançada.

"Será que o rapper Tupac Shakur previu sua própria
morte em seu último vídeo?". A reportagem que sumiu das bancas.

Tantas pessoas se preocuparam com a possível morte forjada de Tupac, com várias teorias sobre sua morte.
Mas até agora, nunca apontaram que ele sabia que iria morrer cedo e de forma violenta.
Será que foi apenas coincidência? Ou será que ele realmente previu alguns passos decisivos em sua vida?
E o mais intrigante: sua morte foi profetizada, por ele mesmo, e ele deixou isso registrado.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Metallica - Through the Never

Fala galera!

Eu gostaria muito de ter assistido esse filme nos cinemas, mas ficou pouco tempo em cartaz aqui na cidade. Mas agora que foi lançado em DVD e trilha sonora, pude ter o prazer de assistir o tão falado filme da banda Metallica.


"Metallica - Through the Never" é um filme e um show ao mesmo tempo.
Complicado, né? Nem tanto.
Em um show gravado ao vivo em Alberta e Vancouver, no Canadá, ele conta a história de um jovem interpretado por Dane DeHaan, que tem o trabalho dos sonhos de muitos roqueiros: ser o roadie da banda de Rock mais famosa dos últimos tempos: o Metallica.

O roadie sai na busca da van, e nem imagina o que o espera.

O roadie está circulando pelos bastidores do show, quando recebe um pedido de levar gasolina para uma das vans da banda que ficou parada em uma parte da cidade. Então ele sai nessa busca, enquanto a banda toca seus maiores sucessos no palco.
É então que se desencadeia uma série de acontecimentos surreais (no mínimo) e o jovem precisa recuperar o que está dentro dessa van.
O legal, pra um melhor entendimento, é saber o que se fala nas músicas, pra entender melhor o que está acontecendo(busquem letras traduzidas, por exemplo).

Pra descobrir quem é esse mascarado, só assistindo o filme!

Quanto ao setlist do show, a banda dispara seus maiores clássicos, como "Master of Puppets", "Fuel", "Creeping Death", "Battery", "Enter Sandman" e a instrumental "Orion (que ficou uma tijolada, apavora!)", e pra quem já assistiu ao show "Orgulho, Paixão e Glória (falei dele AQUI)", sabe que a banda está tocando de maneira perfeita, com uma vontade absurda.


James Hetfield.
Lars Ulrich.

O vocalista/guitarrista James Hetfield é um frontman de primeira, carismático e sempre interagindo com o público; Lars Ulrich destruindo tudo na bateria; Kirk Hammet toca e sola demais na guitarra; mas a verdadeira surpresa é  Robert Trujillo, que é um verdadeiro monstro, brinca enquanto toca o contrabaixo, e tanto nesse show quanto no outro que citei acima, Robert mostra que trouxe um novo gás para a banda.

Roberto Trujillo.


Kirk Hammet.

Pra quem não conhece muito a banda (o que eu acho difícil), é uma ótima oportunidade de saber um pouco mais sobre a derradeira máquina de Metal.
Pra quem já é fã, é perigoso cantar junto e sair pulando no meio da sala. 
Dica: experimentem assistir em 3D! Recomendadíssimo!!



Segue tracklist da trilha sonora (igual ao do DVD):


CD 1

The Ecstasy of Gold
Creeping Death
For Whom The Bell Tolls
Fuel
Ride the Lightning
One
The Memory Remains
Wherever I May Roam

CD 2

Cyanide
And Justice for All
Master of Puppets
Battery
Nothing Else Matters
Enter Sandman
Hit the Lights
Orion

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Quadrinho - Clube Vampiro

Fala galera!

Os vampiros estão na moda hoje em dia.
Mas vocês estão cansados de vampiros que não matam, mordem, se apaixonam e brilham à luz do dia?
Então eu recomendo a leitura de "Clube Vampiro (Bite Club)", que a Panini lançou a pouco tempo.


O que aconteceria se a Máfia de Miami fosse controlada por vampiros?
Esse é o pontapé inicial da história.
A Família Del Toro comanda todo o crime organizado de Miami há quase um século.
Drogas, armas, assassinatos... e claro que não se preocupam com o tempo para tomar as decisões.

Porém, o patriarca da família de vampiros, Eduardo, foi morto, e deixou o império em pé de guerra, pois muitos almejam o cargo deixado pelo primeiro vampiro de Miami e tudo o que ele conquistou.
Os filhos de Eduardo são Eddie, um assassino com problemas familiares, Risa, uma ambiciosa (e gata inescrupulosa) vampira que quer que tudo continue como o pai deixou, mas em suas mãos, somente aguardam o leitura do testamento de Eduardo Del Toro.


Porém, o testamento revela uma surpresa: o velho vampiro deixou toda a organização para o filho mais novo, Leto, que abandonou a vida mafiosa e se tornou padre. Nem preciso dizer quanta confusão isso irá causar.

O quadrinho trouxe ótimas sacadas, como o fato de os vampiros em Miami serem tratados como minorias étnicas, como se fosse absolutamente normal existirem os sanguessugas e frequentarem as mesmas escolas, cinemas e baladas que humanos normais. E o clima de filmes de máfia mesmo, com mortes, traições, esquartejamentos e sexo, mas ao modo dos vampiros.


Clube Vampiro tem roteiros de Howard Chaykin (American Flagg) e David Tischman (Star Trek).
A arte é de David Hahn (Fábulas, Lúcifer) e as capas são de Frank Quitely (Superman All-Star).
Com 148 páginas e preço de R$ 19,90.

É um prato cheio, uma história muito bem escrita e desenhada. É muito difícil encontrar algo do selo Vertigo que não agrada.

sábado, 24 de maio de 2014

Rock n' Roll - Marketing, Polêmica e Inferno

Fala galera!

Depois de um assunto pesado no post anterior, agora é um assunto mais leve (ou não). Será que as bandas mais conhecidas, os maiores alvos de fanatismo religioso, são realmente satânicas?
Até que ponto o satanismo se confunde com marketing ou falta de entendimento no assunto (ou letras) dessas bandas?
Vou mostrar as bandas mais faladas, e já vou trazendo explicações das próprias bandas com relação a isso.




Slipknot

A banda de Des Moines, Iowa, é considerada por muitos, satânica.
Pois bem... onde começou isso?
O 2º disco da banda, chamado "Iowa", traz na capa um bode preto.
E qualquer um sabe que o bode preto é um claro sinal de invocações malignas, certo?


Errado! Na cidade dos caras, Des Moines, além das vastas plantações de milho, os bodes também são abundantes na região. E o bode preto, cá entre nós, chama muito mais a atenção em uma capa de disco do que um milho. 

Trecho que encontrei em um site sobre essa capa:
"A primeira vista podemos pensar que a capa traz a imagem de um bode, sendo inofensiva (apenas de extremo mau gosto), mas engana-se que pensa assim. A capa é a imagem do demônio Baphomet, sendo explícito o satanismo que a banda dissemina."

Baphomet não é demônio, filho da puta burro! Continuando...

E o fato da banda usar máscaras, dizem incentivar o homossexualismo e a transexualidade, porque não dá pra saber se são homens ou mulheres. Então... desde o primeiro disco, no encarte dos discos, trazem os nomes dos integrantes. E pouco tempo depois, eles já andavam sem máscaras pra todo lado.


Slipknot é satânico? Não. 
Apenas mal compreendido.


Marilyn Manson


Falo muito do Reverendo Manson aqui no blog. Sou fã dele mesmo.
Mas ele é satânico?
Tudo começou com o lançamento de seu disco "Antichrist Superstar", lançado em 1996. O nome já é polêmico, e o clima sinistro das músicas ajuda muito. E fora as letras pesadas.


Porém, o próprio Manson explica: 
"A intenção desse trabalho é de mostrar à sociedade americana que a figura do Anticristo é reflexo de uma moral cheia de falhas, e que a execução dessa moral é na verdade o próprio anticristo. Foi inspirado também em meus pesadelos."

O disco teve também a intenção de derrubar as bases do cristianismo, já que, nas palavras de Manson "a falta de fé do povo é que é o Anticristo.". Suas letras são bem complexas, e quando entendemos realmente o que ele quer dizer, ele não se torna tão "perverso" assim.

Manson e Anton LaVey.

E sim, ele foi nomeado Reverendo na Igreja de Satã, pelo próprio Anton LaVey, e aceitou mesmo por educação, já que ele nunca tomou parte de eventos ou disseminou ideias entre os frequentadores da igreja.

Marilyn Manson é satânico? Não. 
Ele é polêmico, inteligente e fala realmente o que pensa.


Ghost B.C.


Os mais novos queridinhos dos fanáticos religiosos e desentendidos de plantão, o Ghost veio com uma ideia (nem tanto) nova: o vocalista vestido como um Papa (tanto que o nome dele é Papa Emeritus) e os músicos com tipos de batina. A propósito, Papa Emeritus é muito, muito carismático!
O Ghost é satânico?

O 1º disco do Ghost: recomendadíssimo!!

Suas letras são claramente satânicas. Qualquer tradução ou até mesmo os clipes dã a entender isso. Mas e as vestimentas?
Tudo isso leva a entender que eles querem mesmo é cutucar o cristianismo, o que eu acho muito maneiro, balançar esse status quo entre música e religião, essa "batalha" muito antiga, e cada vez piorando.

E claramente os fanáticos religiosos sentem essa cutucada. E o mais legal, não entendem.
E o Ghost B.C. se utiliza de sonoridade e ambientação muito comum na década de 70, de onde surgiram a maior parte de todos esses rumores. Deem uma lida em alguns comentários abaixo:



Ghost B.C. é satânico?
Não, também são muito inteligentes e sabem onde estão mexendo.

Poderia citar várias outras bandas que gostam de tocar nesse assunto da lavagem cerebral de algumas religiões cristãs e causar polêmica. Exemplos recomendados para todos nós irmos para o "inferno":

Slayer (o disco "God Hates Us All" é foda!)



 Gorgoroth (disco "Antichrist é foda!)



 Deicide (disco "Once Upon the Cross" é foda!)



Opinião minha: usar esse termo "banda satânica" apenas ajuda a banda a ganhar mais popularidade, já que tenho certeza que muita, muita gente pensa: "nossa, o que será que eles falam/fazem/cantam?", vão lá e compram ou baixam os discos, e percebem que não tem nada disso. Apenas para gerar polêmicas.
E um pouco de polêmica não faz mal a ninguém. Nem leva pro inferno.

Casos Sinistros do Rock - Os Lordes do Caos / Inner Circle

Fala galera!

Acho que o título de "Casos Sinistros do Rock" nunca se encaixou tão bem em um post.
Não é bobeira, muitos podem até achar, mas eu mesmo não me senti muito à vontade escrevendo esse post. Posso até estar enganado, mas não me lembro de ter escrito um post tão tenso e pesado como esse.
Acredito que essa é uma pergunta que muitos roqueiros (ou quem curte Rock) fazem, porém sem uma resposta exata:

Realmente existem bandas de Rock satânicas?
São apenas bandas marqueteiras?


Olha, acho que esse post foi o que levou mais tempo, mais pesquisa, e mais conversas com grandes conhecedores do assunto aqui na minha cidade. E contou ainda com uma grande ajuda do pessoal da página de terror do Facebook, porque lancei essa mesma pergunta, e tive ótimas respostas do pessoal.

Enfim, vou tentar mostrar as origens do Black Metal, que acho que é uma das vertentes dentro do Rock mais cercado de lendas.

O chamado "Black Metal" surgiu nos anos 80, juntamente com o "Death Metal", que são vertentes do Rock muito pesadas, ou também conhecidas como "Metal Extremo".

A famosa nada inglesa Venom é considerada a precursora do gênero, e o termo Black Metal foi retirado de um de seus discos, com  o título de "Black Metal", lançado em 1982. Mesmo o disco sendo considerado Trash, apresentava mais temas e imagens centradas no anticristianismo e no satanismo do que qualquer outro da época. E a banda Venom adotava pseudônimos, o que passou a ser comum no vindouro cenário Black Metal.

Então, o Black Metal é definido como um estilo extremamente agressivo e sombrio, e as bandas que realmente iniciaram esse estilo são:  Burzum, Darkthrone, Emperor, Immortal, Sarcófago e Mayhem.

Então, pode-se considerar que o Black Metal como o conhecemos foi criado nos países nórdicos, já que grande parte das bandas são da Noruega e Suécia. 

Mas o epicentro de tudo foi com a gravadora/grupo chamado "Inner Circle".

O Inner Circle (também conhecida como Círculo Negro - Black Circle em inglês e Svarte Sirkel em norueguês) formou uma organização anticristã na Noruega na qual vários músicos do cenário Black Metal faziam parte. Os jornalistas chamavam carinhosamente o Inner Circle de "Black Metal Mafia".

Uma imagem rara de Euronymous em sua loja Helvete.

A origem do Inner Circle começou quando Euronymous (cujo nome real é Øystein Aarseth), guitarrista da banda Mayhem, abriu uma loja de discos chamada Helvete (Inferno em norueguês), no início dos anos noventa.
A loja foi usada como ponto de encontro e sede das primeiras festas do que se tornaria o Inner Circle.
Euronymous era conhecido como um grande orador no Inner Circle, e logo grupo ganhou vários frequentadores, entre eles Varg Vikernes.

Varg Vikernes ou Count Grishnackh, é o vocalista, guitarrista, baixista, tecladista, baterista, escritor e fundador da banda norueguesa, Burzum.

No decorrer dos anos 90, causaram danos e cometeram crimes contra várias instituições cristãs, intimidações contra outros grupos musicais e homícidios.
 Os ideais do grupo se baseavam em referências a satanismo (porém, em um ponto de vista diferente de Anton LaVey, fundador da Igreja de Satã na Califórnia), isolacionismo (o país se fechar contra outros países) e paganismo nórdico.

Em 1991, Dead (Per Yngve Ohlin), vocalista do Mayhem se suicidou com um tiro de espingarda na cabeça em sua casa. Dead era conhecido como uma pessoa estranha e sinistra, e suas performances eram no mínimo, obscuras: incluíam se cortar, levar um corvo morto pelo palco e vestir roupas que tinham sido enterradas semanas antes dos shows. Dead deixou um bilhete se desculpando pelo sangue jorrado que sujaria tudo.

Dead, vocalista do Mayhem.

Euronymous encontrou o corpo, e antes de chamar a polícia, correu comprar uma câmera fotográfica, e tirou várias fotos, e uma delas foi usada na capa do disco "Dawn of the Black Hearts", do próprio Mayhem.
Surgiram boatos que Euronymous havia guardado partes do crânio para fazer um colar e comido pedaços do cérebro de Dead. Vira e mexe, o boato retorna.

Sempre houveram dúvidas quanto a veracidade da imagem:
sim, é real.

Foram tantos atos que o Inner Circle promoveu, que vou tentar listar os piores aqui. Até 1992, 52 igrejas foram queimadas, mais de 15.000 tumbas foram profanadas e pixadas com símbolos satanistas, e objetos de igrejas foram roubados e exibidos como troféus que decoravam a loja Helvete.

Um dos piores incidentes foi o incêndio na famosa Igreja de Madeira de Fantoft, queimada em 1992 por Varg Vikernes. E pra ajudar, a foto da Igreja queimada foi a capa do disco "Aske".

A bela igreja de Fabtoft.

Na capa do disco, o que sobrou de Fantoft.

Em 1992, foram queimadas ou atacadas nove igrejas; em 1993, uma; em 1994, doze; e em 1995, seis igrejas.

Algumas bandas sofreram retaliações do Inner Circle. Entre elas a Paradise Lost, Deicide e a Therion. Foram atacadas por seguirem determinadas modas musicais.

O vocalista do Therion teve sua casa queimada por uma mulher chamada Maria, membro do Inner Circle.
Maria ainda cravou uma faca na porta da casa, com a mensagem "O Conde esteve aqui e voltará".
As investigações levaram rapidamente à prisão de Maria, que foi encaminhada para um manicômio. Depois de quatro dias do incêndio, o vocalista do Therion recebeu uma carta do tal "Conde":

"Olá vítima! É o Count (Conde em inglês, ou seja, Varg Vikernes) Grishnackh do Burzum.
Acabo de voltar de uma pequena viagem a Suécia, mais precisamente em um lugar a noroeste de Estolcolmo e acho que perdi um isqueiro e um disco do Burzum, ha ha!
Voltarei muito cedo e talvez, desta vez, não os acordarei no meio da noite. Darei uma lição de medo. Somos realmente muito loucos, os nossos métodos são a morte e a tortura.
As nossas vítimas morrerão lentamente, devem morrer lentamente."

Em 1993, Varg Vikernes concedeu uma entrevista para um jornalista a fim de divulgar a cena Black Metal e a loja Helvete de Euronymous. A entrevista resultou em uma investigação policial que levou Varg a ser preso por algumas semanas e forçou Euronymous a fechar a sua loja.

Ainda em 1993, Varg e uma outra pessoa foram ao apartamento de Euronymous. Após uma briga, Varg esfaqueou Euronymous, cujo corpo foi encontrado nos fundos do apartamento, com 23 facadas, na cabeça, pescoço e costas.

O motivo da briga nunca foi bem esclarecido, mas dizem ter sido por dinheiro de vendas dos discos do Burzum, e Varg afirma que foi atacado por Euronymous primeiro.

Varg foi condenado a 21 anos de prisão por homicídio em primeiro grau, posse ilegal de armas e explosivos e por ter colocado fogo em três igrejas. Varg recebeu o veredito rindo.

O momento do veredito.

Houve interrogatório dos membros do Inner Circle, e crimes do passado vieram à tona. Alguns membros do Inner Circle foram condenados por homicídio, cumplicidade em homicídios e incêndios.
No mesmo dia em que todas as sentenças foram decretadas, duas igrejas foram incendiadas.

E finalmente em 1994, o Mayhem lançou seu disco "De Mysteriis Dom Sathanas", com Euronymous na guitarra e Varg no baixo, e é considerado o melhor álbum do gênero. E pela primeira vez na história, a vítima e o assassino tocaram juntos.

Capa de  "De Mysteriis Dom Sathanas".

Foi até escrito um livro, intitulado "Lords of Chaos: The Bloody Rise of the Satanic Metal Underground (Lordes do Caos: O surgimento Sangrento do Metal Satânico Underground)", escrito por Michael Moynihan, que relata um pouco sobre está época.

Capa do livro.

O Inner Circle original já não existe mais.
Com a quantidade de prisões e pressão da justiça, aos poucos as bandas foram acabando. No fim dos anos 90, outra onda de bandas norueguesas lideradas pelo Dimmu Borgir e pelo Old Man's Child surgiram. Porém, ainda existem bandas como o 1349, Taake e Tsjuder que seguem os ideais do movimento Inner Circle.

Varg pouco tempo depois de sair da prisão.

Varg Vikernes deixou a cadeia após cumprir pena por quase 16 anos. Foi libertado em regime de liberdade condicional no dia 24 de maio de 2009.
Varg voltou a ser preso junto com sua esposa, Marie Cachet, no dia 16 de julho de 2013, na França, acusado de planejar um massacre. Foi libertado no dia 18 de julho do mesmo ano, mas ambos ainda estão sob investigação.