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sábado, 9 de março de 2013

Nirvana - Unplugged in New York / You Know You're Right


Músicos que morrem de maneira abrupta não é muita novidade no Rock.
Infelizmente, a realidade é essa... Lembrei de outro músico, da década de 90 que causou dois grandes impactos: um quando atingiu o sucesso, e outro quando se suicidou.


O Nirvana se formou no final da década de 80 (1987, pra ser exato), surgindo da nublada Seattle, no turbilhão musical da cidade que ficou conhecido como "Movimento Grunge", que já rolava de uma maneira mais underground com bandas como Mother Love Bone e Soundgarden.

A formação mais conhecida é: Kurt Cobain (vocal e guitarra), Krist Novoselic (baixo) e Dave Grohl (bateria). Popularizando um estilo meio escondido do mainstream, o Nirvana conquistou público e crítica, com seu som influenciado por Hard Rock e Punk (mais Punk que Hard).
Mas a fama cobra seu preço, e Cobain se sentia na mão contrária dessa popularidade; cada vez mais se acuava, o consumo de drogas aumentava e o sucesso que atingira o desagradava... demais.

Kurt Cobain no acústico: dá pra notar
que ele não estava muito bem...

Cada disco era um sucesso, e com mais sucesso, o uso abusivo de heroína crescia cada vez mais, tudo pra fugir de uma realidade que ele sempre quis, mas nunca o agradou.
No último disco gravado em vida, "In Utero", de 1993, o título foi mudado às pressas, pois Cobain afirmou que se chamaria "I Hate Myself and I Want To Die" (que diga-se de passagem, já era um aviso do que estaria por vir...), e as músicas são mais sombrias que os álbuns anteriores.

Em 5 de abril de 1994, Cobain foi encontrado morto em sua casa, com um tiro de espingarda na cabeça. Deixou uma carta de despedida (imagem e tradução abaixo), e o disco póstumo mais vendido e aguardado: gravado em novembro de 1993, o projeto "Unplugged" contou com a participação do Nirvana, sendo talvez o acústico mais triste de se ouvir.


Lançado em novembro de 1994, o álbum "Nirvana - Unplugged in New York" conta com um setlist de músicas menos famosas da banda, além de covers de David Bowie e The Vaselines.
O palco enfeitado com flores, repleto de velas, dava um ar de velório mesmo.
Cobain estava um caco, a droga o consumira demais. Precisou de mais um cara tocando violão para ajudá-lo, e nem conseguiu voltar pra um bis. E na minha opinião, foi um dos melhores acústicos que ouvi, é cru e verdadeiro. Segue setlist:

About A Girl
Come As You Are
Jesus Don't Want Me For A Sunbeam 
The Man Who Sold The World 
Pennyroyal Tea
Dumb
Polly 
On A Plain 
Something In The Way
Plateau 
Oh, Me 
Lake Of Fire
All Apologies
Where Did You Sleep Last Night?

E após vários anos, foi lançado um Greatest Hits da banda, em 2002 na verdade.
Um disco com a capa preta, apenas com o nome Nirvana em prata na capa, e conta com uma música inédita, a faixa "You Know You're Right".
Esta é, definitavamente, a última música gravada por Cobain, e tem uma história por trás dela: o Nirvana alugou o estúdio por três dias para gravar a música, mas Cobain não apareceu nos dois primeiros dias. Apareceu apenas no último, chapado de heroína, entrou, gravou a música em um único take, e foi embora.

Ainda é considerado o pioneiro do Movimento Grunge, pena ter partido tão cedo, como tantos outros. Confira o clipe de "You Know You're Right" e a carta de suicídio:


"Para Boddah
Falando como um simplório experiente que obviamente preferiria ser um efeminado, infantil e chorão. Este bilhete deve ser fácil de entender.

Todas as advertências dadas nas aulas de punk rock ao longo dos anos, desde minha primeira introdução a, digamos assim, ética envolvendo independência e o abraçar de sua comunidade, provaram ser verdadeiras. Há muitos anos eu não venho sentindo excitação ao ouvir ou fazer música, bem como ler e escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras. Por exemplo, quando estou atrás do palco, as luzes se apagam e o ruído ensandecido da multidão começa, nada me afetava do jeito que afetava Freddie Mercury, que costumava amar, deliciar com o amor e adoração da multidão – o que é uma coisa que totalmente admiro e invejo.

O fato é que não consigo enganar vocês, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo para vocês e para mim. O pior crime que posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo que estou me divertindo 100 por cento. Às vezes acho que eu deveria acionar um despertador antes de entrar no palco. Tentei tudo que está em meus poderes para gostar disso (e eu gosto, Deus, acreditem-me, eu gosto, mas não o suficiente). Me agrada o fato de que eu e nós atingimos e divertimos uma porção de gente. Devo ser um daqueles narcisistas que só dão valor às coisas depois que elas se vão. Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança.

Em nossas últimas três turnês, tive um reconhecimento por parte de todas as pessoas que conheci pessoalmente e dos fãs de nossa música, mas ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que tenho por todos. Existe o bom em todos nós e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que chego a me sentir mal. O triste, sensível, insatisfeito, pisciano, pequeno homem de Jesus. Por que você simplesmente não aproveita? Eu não sei! Tenho uma esposa que é uma deusa, que transpira ambição e empatia, e uma filha que me lembra demais como eu costumava ser, cheia de amor e alegria, beijando todo mundo que encontra porque todo mundo é bom e não vai fazer mal a ela. Isto me aterroriza a ponto de eu mal conseguir funcionar. Não posso suportar a ideia de Frances se tornando o triste, autodestrutivo e mórbido roqueiro que eu virei.

Eu tive muito, muito mesmo, e sou grato por isso, mas desde os sete anos de idade passei a ter ódio de todos os humanos em geral. Apenas porque parece muito fácil se relacionar e ter empatia. Apenas porque eu amo e sinto demais por todas as pessoas, eu acho. Obrigado do fundo de meu nauseado estômago queimando por suas cartas e sua preocupação ao longo dos anos. Eu sou mesmo um bebê errático e triste! Não tenho mais paixão, então lembrem, é melhor queimar do que se apagar aos poucos. Paz, Amor, Empatia.

Kurt Cobain

Frances e Courtney, estarei em seu altar. Por favor, vá em frente, Courtney, por Frances. Pela vida dela, que vai ser tão mais feliz sem mim.
EU TE AMO, EU TE AMO!"


Charlie Brown Jr. - RIP Chorão


Fala, galera!
Cara, fiquei uns 10 dias pesquisando e ouvindo alguns discos de Rock nacional, porque quase nunca falo do Rock feito aqui no Brasil, o post estava praticamente pronto, com bandas que realmente fazem a diferença.


Até que na quarta-feira (06/03), antes de sair pra trabalhar, eu sempre tenho o costume de abrir alguns sites de notícia, e uma reportagem me chamou a atenção: "Vocalista da banda Charlie Brown Jr. é encontrado morto." Fiquei chocado, porque a banda era um dos destaques do post que eu tinha bolado!

Sempre falei pra todos os meus camaradas que o Chorão era um puta compositor, todas as letras dele tem uma reflexão fudida da vida, do tipo que a gente para pra escutar e depois fica pensando na letra. Mas, talvez inconscientemente (ou não), as últimas composições tinham um grande pesar, eram muito mais reflexivas.

Tive que parar e repensar um novo post, não como sensacionalismo barato (porque agora todo mundo é fã da banda), mas sim de uma das bandas nacionais que fizeram parte da minha adolescência. Caralho, eu vivia cantando "Rubão" na escola! Fica aqui a homenagem do 2º Olhar pro Alexandre Magno Abrão, codinome Chorão, vocalista e skatista, e toda a banda Charlie Brown Jr., familiares e fãs. 

O CBJR é uma banda que foi formada em 1992, e que realmente conseguiu imprimir seu estilo de Rock. Misturando Hardcore, Punk, Reggae e Rap, sempre foi uma banda que quando você escuta, já fala "Putz, isso é CBJR!", ou seja, ficou reconhecida pelo estilo característico.

Com uma discografia de 11 álbuns, entre discos de estúdio e ao vivo, marcaram várias gerações. Claro que é bobeira falar que todos os discos são ótimos, mas indico quatro discos que mostram essa variação de som e versatilidade da banda.

Nadando com os Tubarões (2000)


Rubão
Ralé
Não é Sério
O Penetra
A Banca
Tudo Mudar
Fichado
Ouviu se Falar
Amor Pelas Ruas
Essa é Por Quem Ficou pra Trás
Transar no Escuro
Fundão (Vinheta)
Somos Extremes no Esporte e na Música
Talvez a Metade do Caminho
Pra Mais Tarde Fazermos a Cabeça
No Desafio, Ibiraboys/A União Prevalece
Trocando uma Idéia com Deus

100% Charlie Brown Jr. - Abalando a Sua Fábrica (2001)


Eu Protesto
Hoje Eu Acordei Feliz
Sino Dourado
Quebra-Mar
Lugar ao Sol
Descubra o que Há Errado com Você
Só Lazer
Você Vai de Limusine, Eu Vou de Trem
O Lado Certo da Vida Errada
T.F.D.P.
Tudo Pro Alto
Como Tudo Deve Ser

Acústico MTV (2003)


Quebra Mar
O que é da Casa é da Casa / Papo Reto
Zoio de Lula
Vícios e Virtudes
Hoje
O Preço
Tudo pro Alto
Não Uso Sapato
O Coro Vai Comê!
Tudo que Ela Gosta de Escutar
Não é Sério
Vinheta Beat Box II" / "Como Tudo Deve Ser
A Banca" (Ratatá é Bicho Solto)
Samba Makossa
Quinta-Feira
Só por uma Noite
Oba, Lá Vem Ela
Tudo Mudar
Proibida pra Mim (Grazon)
Charlie Brown Jr.

Imunidade Musical (2005)


Too Fast To Live, Too Young to Die
No Passo a Passo
Lutar pelo Que É Meu
É Quente
Onde Não Existe a Paz, Não Existe o Amor
Ela Vai Voltar (Todos os Defeitos de Uma Mulher Perfeita)
O Mundo Explodiu Lá Fora
Senhor do Tempo
Liberdade Acima de Tudo
Pra Não Dizer Que eu Não Falei das Flores
Abrir Seus Olhos
Green Goes
I Feel So Good Today
Peso da Batida do Errado que Deu Certo
Aquela Paz
Cada Cabeça Falante Tem Sua Tromba de Elefante
Onde está o mundo bom? (Living in L.A.)
O Nosso Blues
O Futuro é um Labirinto pra Quem Não Sabe o que Quer
Na Palma da Mão (o Ragga da Baixada)
Skate Vibration
Criando Anticorpos
Dias de Luta, Dias de Glória



Pra quem curte Rock como eu, que pesquiso muito pra saber mais do estilo, e pesquiso isso faz tempo, a banda fará uma falta absurda no cenário nacional. Como aconteceu com Renato Russo, da banda Legião Urbana, acredito que o CBJR também não encontrará um vocalista para substituir o Chorão, que marcou a geração dos anos 90.
#RIP_CHORÃO.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

David Bowie - The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars


David Bowie é um dos maiores gênios do Rock n' Roll que pisaram em solo terrestre. Ele sempre se inovou, tanto no visual como na sonoridade de sua música. Não é à toa que é conhecido como o "Camaleão do Rock".


Imagine na década de 70, onde haviam muitas bandas de qualidade, e onde muitas outras surgiam, porém "copiando" estilos de bandas já existentes e com sucesso enorme. Então, Bowie teve uma ideia animal demais: criar um personagem e uma banda, com vestimentas próprias e estilo próprio, com uma história por trás de um álbum extremamente conceitual.

Parece complicado, né?
Mas com uma imaginação muito fértil (e também movida a quantidades industriais de cocaína) surgiu o que seria considerado sua obra-prima:
Em 6 de junho de 1972, foi lançado o disco "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars" que em tradução livre é "A Ascensão e Queda de Ziggy Stardust e As Aranhas de Marte".

Capa do disco.

A história é essa:
O álbum conta a história de um alienígena chamado Ziggy Stardust, que vem para salvar a Terra, que seria destruída em cinco anos e acaba formando uma banda chamada "Spiders from Mars". Ele se torna um Rockstar e acaba cedendo aos exageros do Rock n' Roll. 
Claro que como todo o Rockstar que se prese, após tantos exageros e escândalos, o disco termina com o suicídio de Ziggy.

Agora fala pra mim: de onde o cara tirou uma história dessas??
É genial! O mais legal de tudo é que as músicas são atemporais, foram lançadas em 1972, mas até hoje acontecem esses tipos de situação (não com alienígenas, claro). E o que chamou realmente a atenção foi o visual andrógino de Bowie, não dava pra saber se era homem ou mulher, ou seja, deve ser alienígena mesmo.

Visual andrógino e história envolvente:
receita para o sucesso!

O disco inteiro é sensacional, bem Glam Rock mesmo, mas com certeza destaco as faixas "Five Years", "Lady Stardust", "Starman" (que até virou um cover de sucesso aqui no Brasil na década de 80/ 90, feito bela banda "Nenhum de Nós", renomeada como "Astronauta de Mármore") e claro, "Ziggy Stardust".

Tracklist:
1. Five Years 
2. Soul Love
3. Moonage Daydream 
4. Starman 
5. It Ain't Easy 
6. Lady Stardust 
7. Star 
8. Hang On To Yourself 
9. Ziggy Stardust 
10. Suffragette City
11. Rock 'N' Roll Suicide 

Quem curte Rock, não pode deixar de conferir, já que se trata de um pedaço da história da música.
Ligue os fones e siga a trajetória de Ziggy Stardust!!


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Pearl Jam - Yield


O Pearl Jam é uma das bandas mais influentes no Rock a pelo menos 20 anos, e acredito que seja muito fácil e desnecessário fazer uma resenha dos discos "Ten" (de 1991, considerado um clássico, pela quantidade de 'hinos' que constam nele), "Vs." (de 1993, poderoso), "Vitalogy" (de 1994, obscuro) e "No Code" (de 1996, cheio de experimentações).


Tendo o vocalista Eddie Vedder (extremamente carismático), Jeff Ament  no baixo, Stone Gossard na guitarra rítmica e Mike McCready na guitarra solo, passando por mudanças na bateria, e hoje o cargo é de Matt Cameron (que também é baterista do Soundgarden). Mas no disco em questão, o subestimado "Yield", o baterista era Jack Irons.

"Yield", lançado em 1998, seja talvez o disco mais underground da banda.
Após as experimentações de "No Code", o Pearl Jam resolveu voltar ao básico. Com fortes influências setentistas (claramente Led Zeppelin), não se prenderam apenas ao estilo 'Grunge' (que apesar de ter as influências dos anos 70, também tem influências Punk, e essa mistura dos dois estilos caracterizam o 'Grunge'), também tem muitas influências de Blues, e flertam um pouco com o Rock Alternativo de Los Angeles.

Capa de Yield, lanççado em 1998.

Músicas com letras profundas (que são marcas registradas da banda), com várias influências literárias, marcam o disco. Sons pesados como "Brain of J" e "Do the Evolution" se mesclam de maneira excelente com os sons mais leves e reflexivos, como "Faithfull" e "All Those Yesterdays". A música "Given to Fly" é ótima, e os riffs crescem como uma onda. "No Way" é um som mais denso, mas igualmente eficaz.
A banda lançou um vídeo, o 'making of' do processo de gravação, chamado "Pearl Jam - Single Video Theory".

Capa do 'making of' do álbum.

E claro, a já citada "Do the Evolution", pesada demais, a banda nos mostra a 'evolução' da humanidade.
Com o clipe feito por ninguém menos que Todd McFarlane, o criador do anti-herói Spawn.
Segue a tracklist do álbum:

Brain of J.
Faithful
No Way
Given to Fly
Wishlist
Pilate
Do The Evolution
Red Dot
Mfc
Low Light
In Hiding
Push Me, Pull Me
All Those Yesterdays

Trecho do clipe de "Do the Evolution".

Aqui no Brasil, o disco chegou às prateleiras em 1998, mas ficou pouquíssimo tempo em catálogo.
Ou seja, isso tornou o álbum extremamente raro, só importando mesmo, o que deixava muito, muito caro.
Eu encontrei o disco em uma loja, e era da época mesmo. Hoje, mais de 14 anos depois, ele voltou ao catálogo.

"Yield" talvez nem seja o melhor disco do Pearl Jam, nem o mais conhecido da banda, mas é um disco de transição, e faz parte de seu legado. Eu considero Na verdade, é um disco para pessoas inteligentes, pois ele é interpretativo e faz a gente pensar. Por que acham que a capa é uma estrada? Aproveitem e se deixem levar! Segue abaixo o clipe de "Do the Evolution"!


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sebastian Bach - Kicking and Screaming


Após a saída de Sebastian Bach de sua antiga banda Skid Row, em 1998 (diga-se de passagem, seu último show foi aqui no Brasil), seu futuro parecia incerto. Sumiu dos holofotes, e acredito que foi algo muito difícil, já que conseguiu muita atenção com o Skid Row, e foi a voz dos maiores hits da banda, entre eles "18 and Life", "I Remember You", "Youth Gone Wild", "Slave to the Grind" e "In the Darkened Room".


Em 1999 (e chegou aqui no nosso país em 2005), lançou seu 1º disco solo, "Bring 'em Bach Alive - Sebastian Bach & Friends". Claro que foi uma tentativa furada de dar continuidade em sua carreira, já que o disco é gravado metade em estúdio e metade ao vivo, no Japão. Nem de longe parecia Sebastian Bach.

Já em 2007, Sebastian volta a mostrar sua paixão e talento para o Hard Rock/ Heavy Metal.
O disco "Angel Down" nos faz esquecer a canelada do disco anterior. Extremamente pesado, conta com a participação de Axl Rose em 2 faixas. Mas ainda faltava alguma coisa.

Capas de "Bring 'em Bach Alive", de 1999 e "Angel Down", de 2007.

Até que em 2011, Sebastian Bach mostra porque marcou seu nome na história do Rock n' Roll: com seu novo disco "Kicking and Screaming", corrigiu o que faltava no seu disco anterior, e nos faz apagar da memória seu desastroso 1º álbum.

Capa de "Kicking and Screaming" (achei bela demais essa arte!!)

Com sua voz marcante, bem afinada e energizada, nos remete aos áureos tempos do Skid Row, porém melhorado e mais maduro. Com o exímio baterista Bobby Jarzombek (que já trabalhou no disco anterior) e o jovem guitarrista Nick Sterling (de apenas 21 anos, mas o menino tem talento, mostra que entende da coisa, e dá de 100 a 0 nos guitarristas das bandinhas nacionais), montam um disco bem equilibrado, com músicas pesadas e trabalhdas, e é claro, as baladas tão famosas na voz de Sebastian.

Da esquerda para a direita:
Nick Sterling, Bach e Bobby Jarzombek.

Com influências de Heavy Metal, Hard Rock e até Stoner Metal, merece destaque as faixas "Kicking and Screaming", a paulada "Tunnelvision", que conta com a participação de John 5 do Rob Zombie, "Dance on Your Grave" é extremamente pesada, e a balada leve e muito bonita "I'm Alive".
O disco vem em versão dupla, sendo o 2º disco um DVD que mostra o making of da gravação do disco, algumas músicas ao vivo gravadas em Londres e Chile e os clipes oficiais de "Kicking and Screaming" e "I'm Alive".

Se achamos que Sebastian Bach se deu mal saindo do Skid Row, com este disco ele nos mostra que foi a melhor coisa que poderia ter acontecido com ele. E o Skid Row até hoje não conseguiu arrumar um vocalista que se encaixe nos padrões. E uma dica: ouça "Kicking and Screaming" no talo!!!



terça-feira, 4 de dezembro de 2012

My Chemical Romance - The Black Parade


Pessoal, tenho que ser sincero: sempre curti bandas que pegam determinada ideia ou história, e baseiam um álbum todo nessa ideia ou história.
Tipo o genial David Bowie, na época do clássico "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars", lançado em 1972. Nos próximos posts vou falar deste clássico atemporal.
Ou então como o disco mal compreendido do Lou Reed e Metallica, "Lulu" (já falei dele aqui).


No caso do disco deste post, é uma banda famosa, porém mal interpretada.
O My Chemical Romance, banda de New Jersey, formada em 2001, é geralmente rotulada como uma banda "Emocore", o que é erradíssimo. A influência é clara que contém elementos de Rock Alternativo, Post-Hardcore e Punk. E como o vocalista Gerard Way já afirmou, eles se inspiram em filmes, geralmente de terror, para compor seus discos, e disse odiar o estilo "Emocore".

Já lançaram 4 discos: "I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love", de 2002, "Three Cheers for Sweet Revenge", de 2004, "The Black Parade", de 2006 e "Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys", de 2010.
Todos eles são baseados em determinadas histórias, mas no caso deste post, é sobre o álbum de 2006, "The Black Parade", que vou falar.

Variáveis da capa: a capa clara foi lançada aqui no Brasil.

Em entrevistas, Gerard Way contou que se inspiraram nos seguintes álbuns como influências: "A Night at the Opera" de Queen, "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" de The Beatles, "The Wall" de Pink Floyd e "Mellon Collie and the Infinite Sadness" de The Smashing Pumpkins. Claramente, álbuns clássicos, altamente trabalhados, e no caso do disco do The Smashing Pumpkins, sombrio.

A banda My Chemical Romance.

O disco conta a história de um paciente que está morrendo de câncer no hospital.
O paciente começa a se lembrar de todas as coisas em sua vida, desde quando era criança, quando seu pai o levou para ver um desfile. Então ele começa a se recordar das coisas que fez, a conversar com as pessoas próximas à ele, até ter visões de morte, com a chegada da 'parada negra'.

A idéia da 'Parada Negra' é muito bem
bolada: o topo do post tem a imagem da parada completa,
que é a arte do encarte do disco.

O disco conta os dramas e medos do paciente, de sua doença, de suas crenças e do medo de ir para o inferno. É realmente uma história tortuosa, porém muito bem elaborada, que prende quem está ouvindo. Segue a tracklist do disco:

1 - The End
2 - Dead!
3 - This is How I Disappear
4 - The Sharpest Lives
5 - Welcome to the Black Parade
6 - I Don't Love You
7 - House of Wolves
8 - Cancer
9 - Mama
10 - Sleep
11 - Teenagers
12 - Disenchanted
13 - Famous Last Words
14 - Blood" (faixa escondida)

Indico quem quiser adquirir o álbum, que ouçam e acompanhem com as letras, para um melhor entendimento. E é estranho, porém vou falar disso: o disco foi gravado no estúdio Canfield-Moreno Estate, em Silver Lake, Los Angeles. Também conhecido como Paramour Mansion, é conhecida como uma mansão extremamente mal-assombrada.

A Paramour Mansion, imponente... e assombrada.

Não tenho muita certeza, mas os próprios membros da banda contam quem aconteciam muitas coisas obscuras dentro da mansão durante a gravação do disco, como o vocalista Gerard Way acordar a noite e sentir que tinha alguém (ou alguma coisa) apertando sua garganta, e daí nasceu a música "Sleep".

A banda em frente à mansão: pesadelos e fatos inexplicáveis.

O irmão de Gerard, Mike Way, entrou em depressão, e os membros da banda decidiram retirá-lo da mansão. Fora as torneiras que se abriam sozinhas, nos banheiros, e uma pintura de um anjo que havia acima da lareira. E a parte inferior da pintura estava escondida, e os membros da banda moveram o quadro para ver a pintura inteira, revelando que havia um demônio na arte, abaixo do anjo. Claro que o ambiente da mansão se deixou transparecer na sonoridade do disco, conscientemente ou não.

Enfim, é um ótimo disco, é denso, muito bem trabalhado e acredito ser o melhor trabalho do My Chemical Romance. Ouçam o álbum e se deixem levar pela 'Parada Negra'!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Rocco DeLuca & The Burden - I Trust You To Kill Me


Rocco DeLuca and The Burden é uma banda californiana formada aproximadamente em 2005. Aqui no Brasil, pouquíssimas pessoas conhecem essa banda, já que o álbum em questão não foi (e nem será) lançado aqui no nosso país, já que geralmente discos independentes ou desta vertente de Rock são pouco conhecidos (por aqui, lógico).

Rocco DeLuca.

O 1º disco da banda, chamado "I Trust You To Kill Me" (cara, é um belo título), lançado em 2006, com inflências de Indie Rock e Rock Alternativo, chamou a atenção do público. Com músicas variadas, desde baladas até sons mais vicerais, o estilo da banda é carismático demais. 

Capa do 1º disco da banda.

Contando com Rocco DeLuca nos vocais e dobro (é um violão com uma sonoridade mais aberta), Dave Beste no baixo, Ryan Carmen na bateria e Greg Velasques na percussão, despertou a curiosidade da gravadora independente Ironworks. E um dos donos da Ironworks é ninguém menos que Kiefer Sutherland (é, o Jack do seriado 24 horas).
Sutherland recebeu a ligação do sócio, que estava vendo a banda tocando num pequeno clube, dizendo que "conheceu um cara que tocava o dobro igual a um demônio". Kiefer ficou tão encantado com a banda, que além de gravar o álbum da banda, resolveu ser o agente para uma pequena turnê pela Europa.

A turnê foi gravada, dando origem ao documentário "I Trust You To Kill Me" (mesmo nome do disco), e mostra a banda e seu agente perdidos em pequenos pubs na Europa, passando por Inglaterra e Irlanda (aqui, na virada do ano).

Documentário da turnê européia.

O canal de música VH1 ajudou a divulgar tanto o disco como o documentário, sob a descrição de "os ecos de Neil Young, Robert Plant, Jeff Buckley e Pearl Jam misturados em uma coisa única...".

Músicas como "I Trust You To Kill Me" (que infelizmente não saiu no disco), as baladas "Gift" e "Colorful", a levada marcante de "Swing Low", e a violência de "Soul", tornam esse disco essencial para que curte Indie/ Alternativo. Confiram abaixo um dos clipes do disco, da música "Swing Low"!


Jimmy Page - Outrider


Aproveitando a febre do lançamento tão aguardado de "Celebration Day" do Led Zeppelin (falei dele aqui), vamos falar do 1º (e único, diga-se de passagem) disco solo do guitarrista Jimmy Page.
O álbum "Outrider", lançado em 19 de junho de 1988, conta com músicas fortemente calcadas no Blues, claro que com o toque genial de Page.

Uma das imagens internas do álbum.

Na realidade, era para ser dois discos, lançados com um intervalo de tempo.
Porém, a casa de Page foi assaltada, e entre os itens roubados, estavam as demo tapes do que seria o 2º disco.

Page levou a sério seu disco solo, sem firulas e sem enfeitar muito, partindo da inspiração do Blues ao Rock básico, claramente com influências do Led Zeppelin.
A crítica pegou um pouco no pé, devido o disco contar com 3 vocalistas: o amigo de longa data Robert Plant e os blueseiros John Miles e Chris Farlowe.
É também neste disco que tocaram e gravaram pela 1ª vez com Jason Bonham, filho do finado baterista do Led Zeppelin, John.

Capa do álbum "Outrider", de 1988.

E o álbum conta com três instrumentais, mostrando toda a qualidade de Page como guitarrista, e que não se perdeu após o fim de sua antiga banda.

Pra quem curte o Led Zeppelin, é um prato cheio. E pra quem gostaria de conhecer o trabalho de Page pós-Zeppelin, essa é uma ótima oportunidade! Pra encontrar o disco original, só importando mesmo, já que nem foi lançado aqui.

Segue a tracklist:

1 - Wasting My Time
2 - Wanna Make Love
3 - Writes of Winter
4 - The Only One
5 - Liquid Mercury (Instrumental)
6 - Hummingbird
7 - Emerald Eyes (Instrumental)
8 - Prison Blues
9 - Blues Anthem (If I Cannot Have Your Love...)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Led Zeppelin - Celebration Day


Eu sempre digo que na década de 70, as bandas sempre tinham um ar diferente:
Sendo pela inovação sonora, pelas lendas e mitos que circulavam, ou simplesmente por nos trazer os melhores músicos que vimos até o momento.

O Led Zeppelin, talvez a mais conhecida (e talvez a maior) banda desta época de ouro do Rock n' Roll, não realizava um show oficial desde 1980, ano da morte do baterista John Bonham.


O vocalista Robert Plant seguiu carreira solo, e que faz um sucesso enorme, o guitarrista Jimmy Page lançou um disco solo e se envolveu em vários projetos, entre eles dois discos com Robert Plant, um disco com David Coverdale (ex-Whitesnake) e um show com os Black Crowes. O baixista John Paul Jones também se envolveu em vários projetos paralelos, o mais novo é a banda Them Crooked Vultures, que conta com Josh Hommes (Queens of Stone Age) no vocal, e Dave Grohl (Foo Fighters) na bateria, enquanto John Paul toca baixo.

John Paul Jones, Robert Plant e Jimmy Page na estréia de "Celebration Day".

Claro que o fim do Led Zeppelin deixou vários orfãos, pois como disse o crítico musical inglês Nick Kent, "que uma apresentação do Led Zeppelin só poderia ser comparada à uma invasão do exército mongol (comandada por Gengis Khan): tal sua brutalidade, ferocidade e a capacidade de arrasar toda e qualquer forma de vida." Claro que o crítico musical da revista Veja, Sérgio Martins (talvez um dos melhores no ramo) citou também esta comparação de Nick Kent. E claro, está coberto de razão.

A banda em ação: na O2 Arena, eles mostram que não ficaram velhos!

Até que, em 2007, o Led Zeppelin se reuniu, para uma apresentação única, na O2 Arena, em Londres. Para a bateria, foi convocado Jason Bonham, filho do falecido baterista John.

O evento foi tão histórico, que os ingressos foram somente vendidos pela internet, para evitar a falsificação ou cambistas que entrassem na jogada.
Ao todo, foram 18 mil ingressos, porém a fila de espera estava para mais de 200 mil pessoas, sendo que congestionou todos os sites que estavam vendendo estes ingressos.

John Paul, Robert Plant, Jason Bonham e Jimmy Page
alguns minutos antes de subir no palco.

E após 5 anos, o Led Zeppelin resolveu lançar a apresentação nos cinemas!
Em outubro de 2012, em todo o mundo (e apenas algumas cidades aqui do Brasil) receberam o show "Celebration Day". Foi um sucesso de bilheteria.

E agora, dia 19 de novembro, chega às lojas o áudio e o vídeo do show!
"Celebration Day" é um álbum duplo deste evento histórico, e o DVD/ Blue-Ray simples. Abaixo segue a tracklist do álbum:

CD 1:

1. Good Times Bad Times
2. Ramble On 
3. Black Dog
4. In My Time Of Dying
5. For Your Life
6. Trampled Under Foot  
7. Nobody’s Fault But Mine 
8. No Quarter 
9. Since I’ve Been Loving You 

CD 2:

1. Dazed And Confused
2. Stairway To Heaven
3. The Song Remains The Same
4. Misty Mountain Hop
5. Kashmir
6. Whole Lotta Love
7. Rock And Roll


Dois momentos do show, apresentando a música "Kashmir".

Nem tenho como expressar a minha vontade de que chegue logo às lojas para entrar na minha coleção, já que não se trata apenas do registro de mais um show de Rock, e sim um marco na história do Rock, já que como disse o guitarrista Joe Satriani "nada pode ser maior que o Led Zeppelin!"

E claro, liberaram no Youtube a música "Kashmir" na íntegra!
Imaginem o show completo!!


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Jimmy Page - Lucifer Rising

Jimmy Page, considerado por muitos como o maior gênio do Rock n' Roll, nunca escondeu de ninguém, porém evita comentar, seus interesses pelo ocultismo.
Já mencionei Page anteriormente aqui no blog, sobre o fato de que ele comprou a mansão que pertenceu a Aleister Crowley, a Boleskine House (quem quiser ler, clique aqui!).


No início dos anos 70, durante uma turnê com o Led Zeppelin, Jimmy Page recebeu o convite para criar a trilha sonora deste filme "Lucifer Rising", dirigido pelo diretor Kenneth Anger.

A sinopse do filme é: "Em mais um intrincado filme, com grandes influências simbólicas e mitológicas do Antigo Egito, Anger nos entrega mais uma obra prima, onde Lúcifer surge não como um demônio  mas como um anjo de luz. Com uma fotografia visceral, este curta traça paralelos entre bem e o mal, entre Deus e o Diabo."


O filme foi finalizado em 1972, porém distribuído em larga escala em 1980.
Mas o diretor do filme disse que Page demorou cerca de dois anos para entregar quase 30 minutos de música (o curta-metragem tem cerca de 28 minutos).

Claro que a trilha criada por Page foi excluída dos planos de Anger.
E no lugar de Page, Anger pediu para um tal de Bobby Beausoleil criar a trilha sonora. E quem era Bobby Beausoleil?

Bobby Beausoleil era integrante da Família Manson, estando envolvido nos assassinatos cometidos pelos fanáticos liderados por Charles Manson, entre eles o  da atriz Sharon Tate. Condenado a prisão perpétua, concluiu a trilha sonora na prisão, a pedido de Anger.

Após esta introdução da história do filme, é que chegamos onde é legal:
A trilha sonora criada por Page caiu no limbo do esquecimento. Considerado talvez como uma das peças mais raras relacionadas a Jimmy Page, a trilha foi lançada em edição limitadíssima, e são pouquíssimas pessoas que tem esse vinil. Por exemplo, pesquisei se alguém venderia o vinil, pois também sou colecionador de álbuns do Jimmy Page: achei 1 cara querendo vender, e não por menos de 1.000 dólares!!


Surgiram muitas capas diferentes, e vários bootlegs.
Abaixo estão as fotos originais e os detalhes do vinil de "Lucifer Rising", que logo na capa, já mostra Page com uma inscrição egípcia nas mãos, olhando para uma imagem de Aleister Crowley.

A capa original do vinil, e a foto que deu origem à capa.

Destaque do vinil azul, as etiquetas tem detalhes de ocultismo.

Encarte dentro do vinil: detalhe para a
gravadora "Boleskine House Records".

Quem espera distorções violentas, guitarras berrando até umas horas, esquece.
É um disco extremamente experimental, claro que tem distorções de guitarra, mas num nível mais obscuro, e sons com o theremin (aparelho que faz distorções que se parece com uma anteninha), que fazem um clima bem... diferente.

Como já disse que sou fã do Jimmy Page, recebo do mailing do site oficial do guitarrista a mensagem:


"No dia 20 de março, equinócio de primavera de 2012, a faixa título do "Lucifer Rising and Other Sound Tracks" será lançada.
A faixa título, juntamente com outras peças musicais gravadas em meu estúdio doméstico no início dos anos 70 foi revista, remixada e lançada pela primeira vez.
Esse é um diário musical de composições e experimentos de vanguarda, uma das quais apareceria no filme 'Lucifer Rising'.
A coletânea foi exumada e agora está pronta para lançamento. Ela estará disponível exclusivamente no site.
Há um encarte com comentários para cada faixa. As faixas são:"

Lado A
1) Lucifer Rising – Faixa principal

Lado B
1) Incubus
2) Damask
3) Unharmonics
4) Damask - Ambient
5) Lucifer Rising - Percussive Return

O álbum tornou-se disponível no site oficial de Page no Reino Unido, às 02:00 da terça-feira, 20 de março.

O mais legal, é que até no relançamento de "Lucifer Rising and Others Soundtracks", Page mostra seu lado místico: os equinócios da primavera, outono e inverno são comemorados como épocas de equilíbrio e harmonia espiritual - momentos em que a noite e o dia tem a mesma duração.

O vinil está a venda somente em seu site oficial: jimmypage.com (o cadastro para entrar no site é gratuito, tem muitas fotos, discografia etc).

Jimmy Page mostra mais uma vez que gosta de surpreender.
E espero que venham mais discos novos, como o próprio Page disse, que em 2013 tem novidades!!


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Tenacious D - Rize of The Fenix


O ator e comediante Jack Black é uma figurinha carimbada nos filmes, interpretando um personagem sério no remake de "King Kong", ou um roqueiro vagabundo no engraçadíssimo "Escola do Rock".

Mas Jack Black é um profundo conhecedor do Rock n' Roll, e também tem uma banda, chamada Tenacious D.
Tenacious D não é muito conhecida por aqui, mas nos Estados Unidos e Europa faz um sucesso absurdo.
Jack Black (ou JB) é o vocal/ guitarra, e o seu parceiro é ator/ comediante/ compositor Kyle Gass (ou Kage), que toca violão.

Kyle Gass (violão) e Jack Black.

A banda se formou em 1994, e lançaram três álbuns: "Tenacious D", de 2001 e "The Pick of Destiny" (trilha sonora para o filme de mesmo nome, aqui no Brasil traduzido como "Uma Dupla Infernal"), de 2006.

E vou falar aqui do 3º álbum, o "Rize of The Fenix", lançado em 11 de maio de 2012 (diga-se de passagem, o único lançado no Brasil, mas pode acreditar que vai ser por pouco tempo!).

Inspirados pelo Rock n' Roll de 1980 até agora, o disco é ótimo, ainda mais por ser uma banda que tem como tema a comédia. Isso mesmo, Tenacious D aborda temas engraçados em suas músicas, como puberdade e sexo, e temas engraçados dentro do próprio mundo do Rock, como o machismo e as zuerias nas turnês. E claro, tem participação especial: na bateria, ninguém menos que Dave Grohl (Foo Fighters).

E como eu escrevi acima, o disco vai ser retirado rapidinho (ou esgotada a venda), pois já logo na capa tem um selo 'não recomendado para menores de 18 anos' (que cobre parte da capa), e outro selo tipo o famoso 'parental advisory' impresso na capa. Explico: a fênix na arte da capa nada mais é que um orgão masculino (conhecido como pinto)!!

1ª capa: nos site é embaçada, na 2ª capa o aviso que esconde, e a 3ª capa como ela é (acho que nem era pra tanto...)

E fora que as letras são recheadas de palavrões e insinuações de sexo, não que eu me importe com isso, porque o disco é bom demais, mas vocês sabem como são os puritanos do Brasil: pode putaria na novela, o governo rouba a gente pra cacete e na cara larga, e uma música que um cara diz 'fuck' não pode, é contra os bons costumes do país...

Enfim, "Rize of The Fenix" é sonzera total, engraçado e contagiante.
Destaque para as faixas "Rize of The Fenix", " Low Hangin' Fruit", "Deth Star", "Roadie", "Rock is Dead" e "39".
Parabéns a Jack Black e Kyle Gass, porque provaram que quando o Rock fica sério demais, obscuro demais e modinha demais, é hora de zoar!!

Confira dois clipes: o 1º é "Low Hangin' Fruit" e o 2º é de "Rize of The Fenix".




domingo, 23 de setembro de 2012

Ice-T e Body Count


Bem, esse post vai ser uma verdadeira viagem no tempo.

Ice-T (ao centro) e a banda Body Count: roqueiros negros, em uma época racista.


Imagine no início dos anos 90, onde a cena musical era bem radical:
O Rock n' Roll clássico sofria um declínio, de leve que seja, perante a quantidade de outros estilos sonoros, mesmo que sub-gêneros dentro do próprio Rock, como o Movimento Grunge, vindo da nublada Seattle, e o Metal Alternativo, que surgiu em Los Angeles. 

Para ajudar, o Hip Hop, mais especificamente o gênero conhecido como "Gangsta Rap", começou a conquistar seu lugar nas rádios, com suas letras realistas, porém violentas demais.

Por mais absurda que pareça a ideia hoje, nunca se passou pelas cabeças pensantes da época 'misturar' os dois estilos musicais, tão diferentes e ao mesmo tempo, tão parecidos. E claro, hoje temos bandas com essa junção, e pode ter certeza, é graças a banda Body Count.

Body Count - Início da banda

O rapper Ice-T (alcunha de Tracy Marrow) é considerado o pai do "Gangsta Rap".
Com suas letras violentas, porém mais amenas que de outros rappers, o que é visível em suas letras e no encarte de seus discos, que continham mensagens contra traficantes de drogas e brigas de gangues (inclusive, ele dizia para os jovens estudar para não cair nessa vida), coisa que 90% dos rappers enaltecem hoje em dia.

Ice-T: do Gangsta Rap para o Rock 'n Roll, com talento nato para o Metal.

Depois de ter certo reconhecimento no cenário musical, Ice-T apareceu como vocalista de uma banda de Rock, chamada Body Count.
Ice-T contou como formou a banda: ele conta que tem um primo, que morou com ele quando eram jovens, e o primo só ouvia Heavy Metal. Isso ajudou atrair a atenção de Ice para o estilo.

No final dos anos 80, Ice tinha alguns amigos que tocavam instrumentos. São eles: 
- Ernie C – guitarra
- D-Roc – guitarra (Bendrix substituiu D-Roc, que veio a falecer em 2004)
- Mooseman – baixo (Vincent Price substituiu D-Roc, que veio a falecer em 2000)
- Beatmaster V – bateria (O.T. substituiu Beatmaster, que veio a falecer em 1997)

Ernie-C: exímio guitarrista com influências de Black Sabbath e Led Zeppelin.

Observação: os músicos que faleceram foi por motivo de doença mesmo, não foram assassinados e coisas do gênero, que aconteciam no cenário muiscal do Rap americano.

Imaginem só: uma banda formada só por músicos negros, cujo vocalista é rapper.

O 1º álbum lançado pela banda, 'Body Count', foi lançado em 1992.
Com músicas inspiradas em Punk e Heavy Metal, e letras inspiradas nas ruas, já chamaram a atenção do publico. Letras de protesto, contra o governo e a violência policial, que teve altos indíces nesse período.
Músicas como "Body Count's In The House", "There Goes The Neighborhood" e "The Winner Loses", logo caíram no gosto da galera, juntando o peso do Rock com a fúria do Rap.

Body Count, o 1º disco.

Mas chamaram a atenção por uma música em particular: saiu nas primeiras tiragens do 1º disco a música "Cop Killer" (literalmente, "Matador de Policiais").
Logo precisaram recolher essa primeira tiragens, e recolocar a venda uma 2ª tiragem, sem a música.
Mesmo assim, o disco teve uma venda muito boa. Encontrar uma cópia desse álbum com essa música, é uma raridade sem igual, devido o impacto no mercado.

Em 1994, lançaram o 2º disco: sob o título de "Born Dead", seguiu o mesmo estilo pesado, tanto na música quanto nas letras. "Killin' Floor", "Drive By", "Street Lobotomy" e um cover de "Hey Joe", mantiveram o sucesso da banda.

Born Dead, o 2º álbum.

Claro que o Body Count não escapou e teve um bootleg lançado.
"Don't Fuck With Me, Argentina" é o álbum ao vivo, gravado no 'Obras Sanitarias Stadium', em Buenos Aires, Argentina.
As melhores músicas dos dois primeiros discos, ao vivo, mais a música proibida, "Cop Killer", estão presentes aqui. É um bootleg de qualidade, e extremamente raro!

Don't Fuck With Me, Argentina, o bootleg ao vivo.

Body Count retorna em 1997 com seu 3º disco, "Violent Demise: The Last Days".
Um disco mais pesado que os anteriores, tanto na parte musical, que ficou mais puxada para o Heavy Metal puro, quanto nas letras, que criticam tudo sem dó nem piedade.
O disco já abre com a paulada "My Way", com participação do grupo Raw Breed.
A densa "Bring to Pain", "I Used to Love Her" e "You're Fuckin' With BC" são os destaques do álbum.

Violent Demise: The Last Days, o 3º disco.

A banda excursionou, porém deu uma parada, até em 2006 voltaram com seu novo disco: Murder 4 Hire.

Esse disco é bem puxado para o Trash Metal, pesado como o álbum anterior.
Destaque para as faixas "The Passion of Christ", "The End Game" e "Relationships".

Murder 4 Hire, o 4º disco.

Para se ter uma ideia das apresentações do Body Count, indico o DVD "Smoke Out Presents: Body Count feat. Ice-T".
É bem bacana as pauladas deles ao vivo, e a reação da galera.

Show do Body Count.

O Body Count realmente impactou o mercado underground da música.
Seja pelas polêmicas, por Ice-T, que é um excelente vocalista, tanto de Rock quanto de Rap, por seus exímios músicos, não podemos negar: se existe bandas de Rapcore, Rap Metal e afins, é por causa deles!