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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Momento Mais Importante Para o Rock (Ou Sexo, Drogas e Purpurina)

Fala galera!

Eu sei que vários artistas tiveram uma influência profunda no cenário musical.
Mas quando eu resolvi pesquisar a fundo algumas das maiores influências na música como um todo, eis que essa foto (e a história por trás dela) me surpreendeu muito!

Da esquerda pra direita: David Bowie, Iggy Pop e Lou Reed, no The Factory, em 1971.

O ano era 1971. A cidade era Nova Iorque.
Lou Reed havia terminado com a banda Velvet Underground, e pensava em abandonar a música.
David Bowie estava de passagem pela cidade, e tentava encontrar buscar o sucesso.
Iggy Pop era um caso perdido, abandonado por seus dias de glória e acabado nas drogas.

Bowie e Reed, The Factory.

O que esse encontro inusitado entre esses três doidos, mais o artista plástico Andy Warhol poderia resultar?
Tendo como pano de fundo a galeria de arte de Warhol, chamada "The Factory" e localizada em Manhattan, o encontro entre eles foi inusitado: Bowie era fã de Iggy Pop, mas Iggy estava tão chapado que não se lembraria, anos mais tarde, de parte do teor da conversa. Lou estava meio na defensiva com relação aos outros dois músicos.

Andy Warhol e Lou Reed, em 1976.

O encontro entre ele mudou radicalmente a cara dos anos 70.
Em um contexto de efervescência criativa e de experimentação comportamental, não conhecia limites em termos de androginia, sexo, purpurina, álcool, maquiagem, drogas, e nos leva à origem do Glam Rock.
Quando digo que foi um verdadeiro marco o encontro dos três, em 1971, tenha em mente o seguinte:

- Em 1972, Bowie gravou sua obra-prima: "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars";


- Em 1972, Bowie produziu o álbum “Transformer”, que alavancou a carreira de Lou Reed;


- Em 1973, Bowie mixou várias faixas do álbum “Raw Power”, de Iggy Pop.


São considerados clássicos de sua época, e um marco na carreira deles.
Mas na verdade, eles foram visionário de épocas vindouras: além das aparências, lançando as bases do punk rock e do eletropop, da new wave e do grunge.
Nem mesmo Michael Jackson, U2 e Lady Gaga escaparam dessa influência.

Com a cultura dos excessos da década de 70, mais a junção desses gênios, somada à toda arte e criatividade que os rondava, o rock nunca mais foi o mesmo.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Lou Reed - Box Collection

Fala galera!

É muito chato quando um músico que gostamos morre, ou de velhice, como no caso de Lou Reed, ou de outras doideiras. Mas para colecionadores, é uma faca de dois gumes: quando o artista está vivo, seus álbuns somem, ficam cada vez mais raros de encontrar, e quando encontrados, são caros pra cacete.
Depois que morrem, as gravadoras decidem dar uma fuçada em seus arquivos, e relançam várias coisas interessantes.

Lou Reed em seu último ensaio fotográfico.

Foi quando me deparei com esse box de colecionador com os cinco primeiros álbuns de Lou Reed, que por acaso já não eram mais encontrados, e dois deles eram caros demais.
E para minha surpresa, o box esta com um preço muito acessível!


Logo após sua saída da banda Velvet Underground, Lou começou sua carreira solo. Se atirou à psicodelia, ao glam, ao experimentalismo... e ficou famoso por um cartaz criado por "defensores" dos bons modos americanos, com sua foto como se fosse um bandido, sendo acusado de fazer uma geração inteira se tornar homossexual (com uma gíria mais suja) e viciados.

O famoso cartaz da década de 70.

Com letras ricas, complexas, e claro, Reed era um ótimo contador de histórias, esse box é um verdadeiro tesouro do Rock Alternativo. E como já foi dito anteriormente, o lendário crítico musical Lester Bangs definiu muito bem as letras de Lou:

"Lou Reed trouxe dignidade, poesia e rock and roll a temas como as drogas pesadas, as anfetaminas, a homossexualidade, o sadomasoquismo, o assassinato, a misoginia, a passividade entorpecida e o suicídio".

Segue abaixo os álbuns e suas tracklists:

Lou Reed


"I Can't Stand It"
"Going Down"
"Walk and Talk It"
"Lisa Says" 
"Berlin"
"I Love You" 
"Wild Child"
"Love Makes You Feel" 
"Ride into the Sun" 
"Ocean"

Transformer


"Vicious"
"Andy's Chest"
"Perfect Day"
"Hangin' 'Round" 
"Walk on the Wild Side"
"Make Up" 
"Satellite of Love"
"Wagon Wheel" 
"New York Telephone Conversation"
"I'm So Free"
"Goodnight Ladies"
"Hangin' 'Round" [Acoustic demo]*
"Perfect Day" [Acoustic demo]*

Berlin


"Berlin"
"Lady Day"
"Men of Good Fortune"
"Caroline Says I"
"How Do You Think It Feels"
"Oh, Jim"
"Caroline Says II"
"The Kids"
"The Bed"
"Sad Song"

Sally Can't Dance


"Ride Sally Ride"
"Animal Language"
"Baby Face" 
"N.Y. Stars"
"Kill Your Sons"
"Ennui"
"Sally Can't Dance"
"Billy"
"Good Taste"*
"Sally Can't Dance" (Single Version)*

Coney Island Baby


"Crazy Feeling" 
"Charley's Girl"
"She's My Best Friend"
"Kicks"
"A Gift"
"Ooohhh Baby"
"Nobody's Business"
"Coney Island Baby"
"Nowhere at All"*
"Downtown Dirt"*
"Leave Me Alone"*
"Crazy Feeling"*
"She's My Best Friend"*
"Coney Island Baby"*

As músicas marcadas com o "*" são exclusivas do box!
Aproveitem para conhecer melhor o trabalho desse gênio!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A História de "Lulu"


Como eu tenho falado muito de Metallica e Lou Reed, nada mais justo do que explicar melhor de onde se origionou a ideia do álbum "Lulu" (que eu já falei aqui), e realmente do que se trata.


Na verdade, Metallica e Lou Reed tocaram juntos no Rock n' Roll Hall of Fame em 2009. Foram duas músicas de Lou tocadas em conjunto, "Sweet Jane" e "White Light/ White Heat".

A partir daí, a ideia do pai do Rock Underground gravar um disco com os reis do Heavy Metal passou a ser certa. Todos pensaram que seria gravado um tipo de "greatest hits" do Lou Reed.

Mas Lou tinha outros planos: gravar um disco de músicas inéditas. As letras e paisagem musical de "Lulu" foram esboçadas por Lou para uma produção teatral em Berlim. O Metallica aceitou no ato, e em um mês juntos em estúdio, 10 novas canções estavam prontas.


"Lulu" é um personagem das peças Erdgeist (O Espírito da Terra, 1895) e Die Büchse der Pandora (A Caixa de Pandora, 1904) do dramaturgo, ator e cantor alemão Frank Wedekind (1864 – 1918), muito conhecido por suas peças em cabarés alemães. Ambas as peças contam a história da jovem dançarina que galga seu caminho rumo a alta sociedade, devido à seus relacionamentos com homens burgueses, mas acaba na pobreza e na prostituição.

Mas depois de trocar várias vezes de amantes/ maridos na Alemanha e acabando no fundo do poço em Londres, ela tem um encontro com ninguém menos que Jack, O Estripador, que tocou o terror na inglaterra no final do século 19, matando várias prostitutas.

O álbum rola como uma história mesmo, cheia de metáforas, violência e sexo.
Acompanhe o que acontece na sequência:


DISCO 1

01- Brandenburg Gate:

O portão de Brandenburg separava as Alemanhas.
Começa a contar a história de uma menina do interior pronta pra tentar virar a vida, fala de beber absinto e fumar ópio, entre outras coisas. E usa algumas metáforas sadomasoquistas como cortar as pernas e os bicos dos seios de pensar em Kinski e Karloff (sobre o cinema clássico), bem a cara das letras de Reed.

02- The View:

Aqui Lulu mostra suas reais intenções com os homens:
"Não tenho moral e desprezo a pureza do amor.
Quero assistir teu suicídio.
Quero te ver sacudindo no caixão.
Quero que você duvide de todos os significados que você acumulou como se fossem uma riqueza, adorando quem na verdade te despreza”.

03- Pumping Blood:

Lulu se entrega ao sadismo de Jack:
"Violação suprema, sangue no foyer, no banheiro, na sala de chá.
Sangue jorrando de mim.
Oh Jack, eu imploro, grito a minha dor.
Engulo sua lâmina mais afiada como se fosse o pau de um homem de cor.
Oh Jack, eu imploro, eu grito teu nome".

04- Mistress Dread:

Lulu se entrega a um ritual de sexo sadomasoquista, com uma das letras mais pesadas do álbum:
"Quero que você me amarre e me bata.
Ata-me com uma echarpe e jóias, uma mordaça sanguinolenta nos dentes.
Eu imploro, me degrade, sou sua garotinha, cuspa na minha boca.
Eu abro minhas pernas pegajosas e enfio um punho, um braço, me rasgue".

05- Iced Honey:

O personagem diz ser igual a mel congelado, com mais metáforas de alguém preso no inferno ou atravessando o Rio Esfige.

06- Cheat On Me:

Lulu faz uma auto-análise de sua condição, ora mostra arrependimento, ora frieza:
"Tenho um coração passional que pode acabar conosco.
Tenho o amor de muitos homens, mas não amo nenhum.
Cuspo em você e mudo de idéia.
Tenho muitos corações para partir e muitos mais para agarrar.
Teu amor é um zero para mim".


DISCO 2

01- Frustration:

Conta a história de um homem rejeitado por Lulu, que não sabe se quer matá-la ou se casar com ela:
"Você se sente menos prostituta, mas provoca.
O ódio bem claro nos seus olhos.
Eu poderia cair de joelhos para salivar nas suas coxas, mas não consigo.
Eu quero muito ferir você.
Gostaria de conseguir te matar.
Case comigo, eu te quero para esposa.
Frustração na minha cartilha de ódio".

02- Little Dog:

Lou faz metáfora sobre um cachorro pequeno e um grande.
Lulu diz que se um pobre vier com uma nota de 100, pode ter tudo o que o rico tem.
"Dinheiro pode fazer qualquer coisa.
Diga o que você quer.
Se você tem dinheiro pode ir até o topo com seu corpinho e seu pau pequeno. Desde que você consiga levantá-lo diante de uma buceta de coração insensível, então pode provar.
Cachorrinho patético".

03- Dragon:

Outro amante rejeitado de Lulu, divido entre xingá-la e amá-la. Porém não se sabe se ele está acordado ou alucinando.
"Estamos realmente mortos? Estamos mortos os dois?
Você se acha especial, que nenhuma lei se aplica a você.
Estrela vermelha da idiotice, idiotice de um idiota.
Somos apenas meros mortais aqui embaixo, meros peões, meros servos, meros objetos descartáveis para se foder.
Criatura digna de pena.
Nós te amamos de verdade, mas para você isso nada significa, ninguém existe com você. Te esperar é o mesmo que morrer.
Minhas garras sobre teu ombro até você sangrar, perfurando o bico dos teus seios até arrancá-los".

04- Junior Dad:

Letra com ar de despedida, e que Lulu mostra que tinha muita raiva de seu pai:
"Você viria a mim se eu estivesse meio me afogando com um braço levantado sobre a última onda? É injusto pedir que você me levante?
Vou te ensinar maldades, medo e cegueira.
Nada de bondade social redentora ou estado de graça.
Digam alô para o pai junior, a grande decepção.
A idade o envelheceu e o transformou no pai junior, selvageria psíquica, uma grande decepção".

Como eu disse anteriormente, o disco é obscuro, porém é de um contexto diferente no mundo do Rock.
Como Lou Reed e Metallica disseram, o disco é para pessoas letradas, pois é de difícil entendiemento.



Mas é uma viagem sem igual, musicalmente e culturalmente excelente.
Lou Reed e o Metallica criaram algo excepcional.



Atravessar o Fogo: 310 Letras de Lou Reed


Esse livro é uma experiência diferente:
Lou Reed é conhecido por seu experimentalismo e poesia em suas canções, e imagine ter uma coleção com mais de 300 letras de suas músicas, para poder entender melhor o real significado de sua obra.


Como disse o lendário crítico musical Lester Bangs, com quem Lou mantinha uma notória relação de amor e ódio:

"Lou Reed trouxe dignidade, poesia e rock and roll a temas como as drogas pesadas, as anfetaminas, a homossexualidade, o sadomasoquismo, o assassinato, a misoginia, a passividade entorpecida e o suicídio".

As letras mostram as várias facetas de Lou, como um cronista do submundo de New York, o fetichista depressivo com tendências suicidas e masoquistas, o amante de literatura e artes de vanguarda, fora o talento de capturar as vozes das ruas.

O livro é longo, tem mais de 750 páginas, mas a leitura é extremamente prazerosa.
Mais um livro pra quem gosta de boa música e boa leitura.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Lou Reed - Walk on the Wild Side

Lou Reed é, sem sombra de dúvida, uma das lendas do Rock n' Roll.
Com a banda "Velvet Underground", se juntou ao panteão das bandas imortais.
Com quase 50 anos de carreira, já fez de tudo um pouco: arte, poesia, música para meditação, se atirou ao glam, ao industrial, enfim... tudo que se poderia ter feito com relação ao Rock, ele fez.

E não para por aí: no final de 2011, lançou o projeto mais ousado do ano, um álbum em parceria com o Metallica, chamado "Lulu" (postei sobre ele aqui).

Pra quem nunca ouviu Lou Reed, eu indico esse álbum como ponto de partida:


Na verdade, esse "the best" cobre apenas certo ponto da carreira de Lou, que se identifica mais pelo Rock alternativo e o experimentalismo.
Músicas como "Satellite of Love", "New York Telephone" e a faixa título, "Walk on the Wild Side", nos mostram esse flerte com o rock experimental, e o rock em sua forma mais pura é mostrado nos clássicos "White Light/ White Heat" e "Sweet Jane".

Esse álbum é uma ótima oportunidade para se conhecer esse artista consagrado no mundo do Rock.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Lou Reed & Metallica - "Lulu"

Todos que curtem Rock conhecem ou já ouviram falar de Lou Reed, integrante da lendária banda Velvet Underground. E todos conhecem o Metallica, que acredito que seja a banda mais bem-vista e mais pesada da atualidade. Essas duas entidades do Rock lançaram um álbum em parceria, em outubro pra ser mais preciso, chamado "Lulu".


"Lulu" não é um álbum do Lou Reed.
Também não é um álbum do Metallica.
Aí vocês perguntam: 'mas então o que é?'.

O álbum é um conjunto de canções inspiradas em 'Earth Spirit' e 'Pandora´s Box', do expressionista alemão Frank Wededkind do início do século XX. Duas peças, publicadas originalmente em 1904, giram entre os pontos de vista da personagem "Lulu" (sexualidade e cinismo), e as pessoas que se apaixonam desesperadamente por ela. Então ela conhece Jack O Estripador.

É isso mesmo: o álbum está em um contexto totalmente diferente do que estamos acostumados a ouvir nos dias de hoje, onde as bandas de Rock nada criam, copiam tudo e mudam um riff ou uma virada de bateria a mais.

O disco (aliás, discos, porque o álbum é duplo) é cheio de amargura, angústia, conflitos, o desespero... e é bastante pesado, tanto nas letras quanto no instrumental.
Como eu disse antes, não é um disco do Reed ou do Metallica, é uma coisa diferente. Porém, esse disco levou o Rock a um outro nível, já que foi inspirado em peças teatrais.

Vi muitas pessoas fazendo criticas negativas para o disco.
Mas acredito que são discos como esses que fazem uma mudança positiva no cenário musical. Porque não explorar o Rock em uma nova perspectiva? Tenho certeza que daqui algum tempo, esse álbum se tornará um clássico, tanto pelo tema abordado, como pelo instrumental pesado e pela genialidade de inovar em um conceito.
Recomendo! Ouça e deixe-se levar pelos caminhos obscuros de "Lulu".
E antes que eu me esqueça: o manequim de cera da capa é um manequim datado de aproximadamente 1900, bem como outros itens do interior do encarte. Rock' n' Roll também é cultura, galera!!


Disco 1

1- Brandenburg Gate
2- The View
3- Pumping Blood
4- Mistress Dread
5- Iced Honey
6- Cheat On Me

Disco 2

7- Frustration
8- Little Dog
9- Dragon
10- Junior Dad

Dá uma olhada na música "Iced Honey" ao vivo pra ter uma noção!!